Votação de Erika Hilton poderia garantir três cadeiras ao PSOL em São Paulo, mas regra eleitoral impediu aproveitamento das vagas

0
70
A votação de Erika Hilton, portanto, teve impacto expressivo no total da federação, mas não foi suficiente para assegurar o preenchimento de todas as vagas calculadas pelo quociente partidário. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

Com 1,59 milhão de votos, deputada atingiu a maior votação feminina da história para a Câmara, mas exigência de desempenho mínimo individual impediu a federação de ocupar todas as nove vagas calculadas pelo quociente partidário

<OUÇA A REPORTAGEM>

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>

Por Sandra Venancio – Jornal Local

A votação de 1.596.472 votos recebida pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) nas eleições de 2026, em São Paulo, estabeleceu o recorde de maior votação feminina da história para a Câmara dos Deputados. Entretanto, o desempenho da parlamentar não foi suficiente para garantir que a federação PSOL/Rede ocupasse todas as cadeiras correspondentes à sua votação coletiva. Pelo cálculo do quociente partidário, a federação alcançou nove vagas, mas elegeu apenas seis deputados federais porque outros três candidatos não atingiram a votação nominal mínima exigida pela legislação eleitoral.

O resultado expõe um dos mecanismos do sistema proporcional brasileiro: a votação expressiva de um candidato pode elevar significativamente o total de votos de uma legenda, mas não garante que todas as vagas conquistadas matematicamente sejam preenchidas por seus integrantes. A legislação estabelece um desempenho individual mínimo para que os candidatos possam ocupar as cadeiras.

A regra dos 10% do quociente eleitoral

Nas eleições de 2026, São Paulo teve 23.674.188 votos válidos para deputado federal e 70 cadeiras em disputa. A divisão desse total pelo número de vagas estabeleceu o quociente eleitoral em 338.203 votos.

De acordo com o artigo 108 do Código Eleitoral, os candidatos precisam alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral para ocupar as vagas destinadas ao partido ou à federação pelo quociente partidário. No caso paulista, o piso ficou em aproximadamente 33.821 votos.

A federação PSOL/Rede somou aproximadamente 3,06 milhões de votos, volume equivalente a nove quocientes eleitorais. Entretanto, apenas seis candidatos da chapa ultrapassaram o mínimo individual exigido.

Seis candidatos atingiram a votação mínima

Além de Erika Hilton, que recebeu 1.596.472 votos, outros cinco candidatos da federação superaram o piso eleitoral: Sâmia Bomfim, com 583.107 votos; Guilherme Cortez, com 275.450; Professora Luciene Cavalcante, com 253.778; Natália Boulos, com 114.552; e Sônia Guajajara, com 54.207 votos.

Outros três candidatos ficaram abaixo do limite: Raul Marcelo recebeu 30.119 votos, Juliano Medeiros obteve 25.908 e Thiago Ávila, da Rede, recebeu 21.423 votos. Fabio Mello também ficou abaixo do mínimo, com 8.011 votos.

Assim, a federação conseguiu preencher seis das nove vagas inicialmente indicadas pelo cálculo do quociente partidário. As três posições restantes foram submetidas à redistribuição prevista na legislação eleitoral.

Federação com PT mudaria a distribuição das cadeiras em São Paulo

Simulação do Radar do Voto indica que uma federação entre PSOL, Rede, PT, PCdoB e PV permitiria aproveitar melhor os votos, beneficiando três candidatos petistas e alterando a composição da bancada paulista. Sônia Guajajara (PSOL) perderia a cadeira no cenário hipotético.

A simulação realizada pelo Radar do Voto mostra que, se PSOL e Rede tivessem disputado as eleições de 2026 em uma federação com PT, PCdoB e PV, o resultado da distribuição das cadeiras em São Paulo seria diferente.

Nesse cenário, os votos das duas federações seriam somados para o cálculo das vagas. A nova composição permitiria aproveitar candidatos de diferentes partidos que atingiram a votação mínima individual. Entre os beneficiados estariam os petistas Rui Falcão, Paulo Teixeira e Paulo Batista dos Reis.

Por outro lado, a mudança também teria consequências para o PSOL. Sônia Guajajara, que conquistou uma cadeira na eleição real, perderia a vaga na simulação. Isso ocorre porque, dentro de uma federação, a classificação dos candidatos considera a votação individual, independentemente do partido ao qual pertencem.

SituaçãoResultado
Federação PSOL/Rede isolada6 deputados eleitos
Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV)11 deputados eleitos
Federação hipotética ampliadaRedistribuição das cadeiras entre os partidos
Rui Falcão (PT)Seria beneficiado
Paulo Teixeira (PT)Seria beneficiado
Paulo Batista dos Reis (PT)Seria beneficiado
Sônia Guajajara (PSOL)Perderia a cadeira

A simulação também aponta mudanças em outros estados. No total nacional, seriam dez alterações de mandatos, cinco na Câmara Federal e cinco nas Assembleias Legislativas. Revista Fórum+1

A hipótese mostra que a decisão do PSOL de não integrar uma federação com PT, PCdoB e PV teve consequências na distribuição das cadeiras. A união poderia melhorar o aproveitamento dos votos, mas não significaria necessariamente mais mandatos para o PSOL: parte das vagas seria ocupada por candidatos petistas e de outras legendas da federação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui