Investigação da Operação Compliance Zero detalha sincronismo entre reuniões do governador do RJ com o banqueiro Daniel Vorcaro e repasses de R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência

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A Polícia Federal (PF) identificou uma “elevada coincidência temporal” e um claro sincronismo entre os encontros privados do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, com o banqueiro Daniel Vorcaro, e aportes financeiros bilionários realizados pelo Rioprevidência no Banco Master.
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A avaliação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a deflagração da nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, os investigadores mapearam reuniões consecutivas seguidas por volumosos repasses de recursos da previdência estadual fluminense para a instituição financeira.
Para a PF, a relação entre o governador e o banqueiro extrapolou os limites institucionais:
“Não se limitou a contatos institucionais. Havia um vínculo pessoal estreito, marcado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro”, sustenta o relatório da investigação.
Essa proximidade, de acordo com as autoridades, teria pavimentado o “alinhamento político necessário” para viabilizar os investimentos e forçar mudanças estruturais profundas na cúpula do Rioprevidência — órgão responsável pelo sustento de aproximadamente 237 mil aposentados e pensionistas civis e militares do Estado do Rio de Janeiro.
Mudança de perfil e pressa em credenciamento
Os investigadores apontam que, após a reestruturação interna do fundo, os novos gestores romperam com a política historicamente conservadora que orientava os investimentos do Rioprevidência. O relatório elenca uma série de graves irregularidades no processo:
- Velocidade incomum: Credenciamento acelerado do Banco Master junto ao fundo.
- Apagão técnico: Ausência de análises estruturadas e falta de comparação com outras alternativas mais seguras de mercado.
- Desrespeito a alertas: Manutenção dos aportes financeiros mesmo após seguidos alertas emitidos por órgãos de controle e fiscalização.
Um dos marcos cronológicos destacados pela PF ocorreu no dia 4 de outubro de 2023. Nesta data, Eucherio Lerner Rodrigues assumiu a diretoria de investimentos do Rioprevidência. No mesmo dia, de forma simultânea, o Banco Master protocolou seu pedido de credenciamento oficial junto ao fundo.
A partir desse ponto, as aplicações investigadas dispararam. Ao todo, o Rioprevidência destinou R$ 3,69 bilhões ao Banco Master, divididos entre Letras Financeiras e fundos estruturados vinculados ao grupo. Quando regras regulatórias começaram a travar a compra de Letras Financeiras, os gestores teriam redirecionado o dinheiro para fundos privados do banco para contornar as restrições da lei.
Esquema bilionário
Ao analisar o material enviado pela Polícia Federal, o ministro relator André Mendonça foi categórico sobre a gravidade das evidências coletadas até o momento. O magistrado destacou que há uma “elevada probabilidade” de que o grupo componha uma organização criminosa de alta complexidade.
“Há elevada probabilidade de que os investigados integrem um amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência”, afirmou o ministro Mendonça em seu despacho.
A nova fase da Operação Compliance Zero avança agora na coleta de depoimentos, perícias bancárias e análise de materiais apreendidos para delimitar a responsabilidade direta de Cláudio Castro, Daniel Vorcaro e dos ex-diretores do fundo no suposto esquema.




