PF prende pastor Marcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne que investiga elo entre jogo do bicho, máfia do cigarro e agentes públicos

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Marcio Poncio foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Pastor da Igreja da Nuvem Foto Reprodução Instagram

Quinta fase da operação da PF cumpre mandados expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes e aprofunda investigação sobre lavagem de dinheiro, corrupção e possível infiltração do crime organizado em instituições públicas do Rio de Janeiro

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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (2) o pastor Marcio Poncio durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da chamada “Máfia do Cigarro”, operadores do jogo do bicho e agentes públicos do Rio de Janeiro. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu outros dois mandados de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já presos. Ao todo, foram cumpridos ainda 14 mandados de busca e apreensão.

Marcio Poncio foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo a investigação, ele é suspeito de manter ligações com a organização criminosa comandada por Adilsinho, apontado pela Polícia Federal como um dos principais chefes da nova cúpula do jogo do bicho no estado.

De acordo com a Polícia Federal, esta fase da operação busca aprofundar as investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro supostamente comandado por Adilsinho e suas conexões com integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo fluminenses. Alexandre de Moraes também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões dos investigados.

As investigações tiveram origem na Operação Fumus, deflagrada em 2021 para combater o monopólio ilegal da comercialização de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, agentes apreenderam planilhas contendo registros de supostos pagamentos ilícitos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, os documentos apontam possíveis repasses periódicos a agentes políticos do estado. Informações obtidas pela TV Globo indicam que pelo menos 20 políticos são investigados por supostamente receber recursos da organização criminosa.

A Operação Unha e Carne foi iniciada em dezembro de 2025 para apurar o vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho. Com o avanço das investigações, a Polícia Federal identificou indícios de uma rede de proteção institucional ao crime organizado, envolvendo autoridades públicas e integrantes do Judiciário.

Entre os investigados estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, acusado de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho. Também responde às investigações o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de ter fornecido informações reservadas que comprometeram ações policiais.

Na terceira fase da operação, Bacellar voltou a ser preso após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso conhecido como escândalo da Ceperj. Já na quarta etapa, realizada em maio deste ano, a Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de integrar um esquema de direcionamento de contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, a atual fase da Operação Unha e Carne integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou o aprofundamento das investigações sobre organizações criminosas violentas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Marcio Poncio não havia se manifestado sobre as acusações. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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