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PCC usou rede de motéis e postos de combustível para lavar R$ 6 bilhões em SP

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Empresários relatam ameaças, falsificação de contratos e perda de patrimônio; Ministério Público e Receita investigam sofisticado esquema de ocultação de recursos ilícitos

Por Sandra Venancio – Foto Divulgação Policia Federal

São Paulo – Motéis, postos de combustíveis e casas de jogos de azar foram transformados em fachada para um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 6 bilhões em quatro anos, utilizando uma rede de pelo menos 267 postos e 60 motéis para disfarçar a origem ilícita dos recursos.

As investigações apontam que empresários foram coagidos a vender seus estabelecimentos sob ameaças de morte, em operações marcadas por intimidação, fraudes contratuais e falsificação de documentos. Muitos, além de não receberem o valor prometido, continuaram sendo responsabilizados legalmente por atividades criminosas operadas pela facção.

https://twitter.com/RevistaTL/status/1961478121758081224

“Essas vítimas sofriam duas vezes: primeiro porque perdiam o negócio e depois porque eram associadas a crimes praticados pela quadrilha”, explicou o promotor de Justiça Sílvio Loubeh, que acompanha o caso.

Intimidação e fraudes

Um dos relatos colhidos pelo MP envolve o dono de um posto de combustível que, endividado, aceitou vender a empresa. Ele afirma que nunca recebeu o pagamento e, ao tentar reverter a negociação, passou a ser ameaçado. “Ouvi que pai mata filho e filho mata pai por causa de dinheiro. Ficou claro que não havia saída segura”, contou em depoimento.

https://twitter.com/lazarorosa25/status/1961099856455368799

Outro empresário relatou que foi obrigado a assinar a venda de seu posto “por bem ou por mal” e teve a assinatura falsificada em contratos posteriores. Até hoje, negocia com bancos para quitar dívidas contraídas pela quadrilha em seu nome.

https://twitter.com/ThiagoResiste/status/1962147428703895705

Personagens do esquema

Nos depoimentos, os empresários apontaram nomes de intermediários que atuavam na aquisição dos postos. Entre eles, Alexandre Leal, que teria iniciado algumas negociações, e Wilson Pereira Júnior, conhecido como “Wilsinho”, apontado pelo MP como sócio do empresário Flávio Silvério Siqueira. Este último é tratado como principal beneficiário do esquema de lavagem.

A defesa de Flávio Silvério Siqueira nega qualquer ligação do cliente com o PCC e afirma que ele não mantém negócios em setores usados para lavagem de dinheiro. Já o advogado de Wilson Pereira Júnior declarou que seu cliente ainda não foi formalmente citado no processo e está à disposição para prestar esclarecimentos. A reportagem não obteve retorno da defesa de Alexandre Leal.

Motéis como ferramenta de lavagem

Investigadores explicam que os motéis foram estratégicos para a movimentação ilícita por permitirem maquiar receitas com facilidade. “É um setor em que não há registro detalhado de entrada e saída de clientes, o que dificulta a fiscalização e possibilita inflar ou reduzir faturamento conforme a necessidade da lavagem”, detalhou uma fonte próxima à investigação.

Impacto nas vítimas

Enquanto a apuração avança, os empresários tentam reconstruir suas vidas. Muitos relatam perda total do patrimônio e anos de endividamento. “Perdi meu ganha-pão. Fiquei sem chão”, desabafou um deles. Outro afirmou: “Eu sabia que ia perder financeiramente, mas pelo menos ainda estou vivo para seguir em frente.”

O MP e a Receita consideram o caso uma das maiores ofensivas contra a estrutura financeira do PCC nos últimos anos, ressaltando que a facção vem diversificando suas atividades empresariais para consolidar poder econômico e político em São Paulo.

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