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terça-feira, março 10, 2026
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Câmara de Campinas aprova criação do Polo de Inovação em Barão Geraldo sob críticas e alerta de especulação imobiliária

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Projeto transforma área de 17 milhões de m² em zona mista e permite prédios de até sete andares mesmo após audiências públicas contrárias

Por Sandra Venancio

A Câmara Municipal de Campinas aprovou na noite desta quarta-feira (22), em definitivo, o projeto de lei que cria o Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS), no distrito de Barão Geraldo. A proposta foi aprovada por 24 votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção.

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O texto transforma uma área de cerca de 17 milhões de metros quadrados em um espaço voltado ao “desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, inovação e sustentabilidade”, segundo a justificativa da Prefeitura. No entanto, a aprovação ocorreu mesmo após uma série de audiências públicas com forte oposição de moradores, ambientalistas e entidades acadêmicas.

Já o Fórum de Defesa da Unicamp declarou que vai avaliar medidas judiciais para questionar a legalidade da aprovação e pressionar o Executivo por vetos ao projeto. Foto Blog Medium

Pelo projeto, parte da região hoje classificada como Zona de Atividade Econômica (ZAE) passa a ser Zona Mista (ZM), o que permite a construção de empreendimentos residenciais e comerciais lado a lado, ampliando o potencial construtivo da área. O plano autoriza edificações de até sete andares, o que, para urbanistas e coletivos locais, atende diretamente à especulação imobiliária e pode causar impactos ambientais e de mobilidade severos.

Habitação social sob restrições

Embora o texto mencione o estímulo à moradia de interesse social, a proposta impede a instalação de empreendimentos populares tradicionais, como o Empreendimento Habitacional de Interesse Social (EHIS-COHAB) e o Empreendimento Habitacional de Mercado Popular (EHMP-COHAB).

Em contrapartida, o PIDS prevê a criação de um Programa de Locação Social, com o argumento de facilitar o acesso à moradia dentro da área de centralidade — modelo que, segundo críticos, favorece investidores privados e encarece o custo da terra.

Na prática, porém, a realidade é outra: a Cohab de Campinas não constrói novas moradias há anos, o que torna improvável que o projeto cumpra o papel de ampliar a oferta habitacional para a população de baixa renda. Especialistas ouvidos em audiências públicas afirmaram que, sem a retomada de políticas públicas efetivas, o discurso de habitação social tende a funcionar apenas como justificativa para novas liberações imobiliárias.

Críticas e questionamentos

Durante as audiências, movimentos sociais, professores da Unicamp e moradores da região alertaram que o projeto ignora estudos de impacto ambiental, ameaça áreas de recarga hídrica e pode agravar a pressão sobre o trânsito e os serviços públicos de Barão Geraldo.

Apesar das críticas, o projeto foi aprovado em regime de urgência. Entidades que participaram das discussões afirmam que o discurso de sustentabilidade serve de fachada para um processo de urbanização voltado ao lucro do mercado imobiliário, e não ao interesse público.

Reação da comunidade local

O Movimento Salve Barão, que reúne moradores e pesquisadores da região, classificou a aprovação como um “retrocesso ambiental e social”. Em nota, o grupo afirmou que o PIDS “abre caminho para a verticalização descontrolada e para a gentrificação de Barão Geraldo, afastando moradores antigos e comprometendo a qualidade de vida no entorno da Unicamp”. Já o Fórum de Defesa da Unicamp declarou que vai avaliar medidas judiciais para questionar a legalidade da aprovação e pressionar o Executivo por vetos ao projeto.

Vereadores que Votaram a favor (24)

  • Ailton da Farmácia (PSB)
  • Arnaldo Salvetti (MDB)
  • Benê Lima (PL)
  • Carlinhos Camelô (PSB)
  • Carmo Luiz (Republicanos)
  • Débora Palermo (PL)
  • Dr. Yanko (PP)
  • Edison Ribeiro (União Brasil)
  • Eduardo Magoga (Podemos)
  • Filipe Marchesi (PSB)
  • Guilherme Teixeira (PL)
  • Hebert Ganem (Podemos)
  • Higor Diego (Republicanos)
  • Luis Yabiku (Republicanos)
  • Marcelo Silva (PP)
  • Marrom Cunha (MDB)
  • Mineiro do Espetinho (Podemos)
  • Nick Schneider (PL)
  • Otto Alejandro (PL)
  • Paulo Haddad (PSD)
  • Permínio Monteiro (PSB)
  • Roberto Alves (Republicanos)
  • Rodrigo Farmadic (União Brasil)
  • Ruben Gás (PSB)

Vereadores que Votaram contra (5)

  • Fernanda Souto (Psol)
  • Guida Calixto (PT)
  • Gustavo Petta (PCdoB)
  • Paolla Miguel (PT)
  • Wagner Romão (PT)

O que está em jogo com o PIDS em Barão Geraldo

Área total: cerca de 17 milhões de m² (equivalente a 1.700 hectares)
População local: aproximadamente 60 mil moradores
Equipamentos públicos: três escolas estaduais, cinco municipais, dois centros de saúde e parte da Unicamp
Zoneamento atual: majoritariamente ZAE (Zona de Atividade Econômica), com presença de áreas rurais e de recarga hídrica
Novas permissões: edifícios residenciais e comerciais de até sete andares, alteração para Zona Mista (ZM)
Risco apontado: valorização acelerada dos terrenos e avanço de construtoras sobre áreas de proteção ambiental
Déficit habitacional em Campinas: estimado em 42 mil moradias, segundo dados da Fundação João Pinheiro (2024)
COHAB inativa: a Companhia de Habitação Popular de Campinas não entrega empreendimentos desde 2015, segundo relatório da própria autarquia
Empreendimentos licenciados em Barão (2018–2024): aumento de 380% nas autorizações de condomínios verticais e loteamentos fechados
Impacto ambiental: região concentra parte do aquífero Campinas, fundamental para o abastecimento de água do município

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