Investigação liga integrante da cúpula da facção ao assassinato de Ruy Ferraz Fontes
A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária por 30 dias de Pedro Luiz da Silva Moraes, 54 anos, conhecido como Chacal, apontado como integrante da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele é investigado por suposto envolvimento no assassinato do delegado da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, na Baixada Santista. Chacal é considerado foragido.
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A primeira fase da investigação foi conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e resultou na denúncia de oito suspeitos, que já se tornaram réus. Na segunda fase, os investigadores chegaram a novos nomes, entre eles Chacal, descrito pelas autoridades como o primeiro integrante da cúpula da facção criminosa formalmente apontado no inquérito. Ele aparece no topo do organograma do PCC elaborado pelos investigadores.

Além de Chacal, outros quatro suspeitos foram identificados nesta nova etapa. Três deles — Márcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote, Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Careca, e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho — foram presos. Outro investigado, Robson Roque Silva de Sousa, o Jajá, também teve prisão temporária decretada e segue foragido.
Segundo o DHPP, o nome de Pedro Luiz da Silva Moraes surgiu após a análise de dados extraídos de telefones celulares apreendidos com suspeitos e com familiares dele durante a primeira fase da apuração. As informações analisadas indicariam sua participação na articulação do crime. Para os investigadores, Chacal exerce papel estratégico dentro da facção, com atuação ligada à chamada “sintonia” responsável por decisões de alto nível.
A defesa de Pedro Luiz da Silva Moraes divulgou nota negando qualquer envolvimento dele com o assassinato do delegado. Os advogados afirmam que a linha de investigação estaria baseada em uma suposta vingança, em razão de Chacal ter sido preso em 1999 por uma delegacia então comandada por Ruy Ferraz. A defesa sustenta que o delegado apenas cumpriu seu dever funcional e que não haveria motivação para o crime.
Os advogados também ressaltam que, em outubro de 2023, Pedro Luiz deixou a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, após cumprir integralmente sua pena, tendo recebido alvará de soltura. Segundo a defesa, ele não teria qualquer vínculo atual com organização criminosa e desconheceria as circunstâncias que levaram à morte do delegado. A banca afirmou ainda que mantinha respeito profissional pela vítima e que não defenderia autores do crime.
Para a Polícia Civil, no entanto, a nova decisão judicial reforça o entendimento de que o homicídio do delegado teve participação de integrantes de alto escalão do PCC. Com a decretação da prisão temporária, Chacal passa a ser oficialmente procurado pelas forças de segurança, enquanto o DHPP segue aprofundando a análise de dados e possíveis conexões entre os investigados já presos e os foragidos.




