Deputado do PT conquista 303 votos e derrota adversários em eleição influenciada por rearranjos de última hora

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A Câmara dos Deputados elegeu, na noite desta terça-feira (14), o deputado Odair Cunha para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A votação foi secreta, com participação de 456 parlamentares, e Cunha obteve 303 votos, assumindo a vaga deixada pela aposentadoria de Aroldo Cedraz.
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A vitória ocorreu em meio a uma intensa movimentação política nos bastidores, envolvendo mudanças de candidaturas e articulações entre diferentes blocos partidários. O nome de Cunha foi sustentado por uma coalizão formada por partidos como PT, MDB, PDT, PSB, PCdoB e Republicanos, além do apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Disputa interna e reconfiguração de candidaturas
A eleição foi marcada por reviravoltas no campo da oposição. O senador Flávio Bolsonaro atuou inicialmente para viabilizar a candidatura da deputada Soraya Santos (PL-RJ), após a retirada do nome de Hélio Lopes (PL-RJ). Na ocasião, chegou a defender a representatividade feminina no tribunal.
Dias depois, porém, houve nova mudança de estratégia. Flávio passou a articular a desistência de Soraya em favor do deputado Elmar Nascimento, que acabou ficando em segundo lugar, com 96 votos. A movimentação ocorreu após a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também retirar sua candidatura.
Apesar das articulações, o bloco governista manteve vantagem numérica e garantiu ampla maioria para Odair Cunha.
Repercussão e críticas públicas
A condução das articulações gerou reação dentro do próprio campo político. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente a retirada da candidatura de Soraya Santos. Em publicação nas redes sociais, afirmou: “Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia”.
A manifestação expôs divergências internas e indicou fissuras na estratégia adotada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo.
Trajetória do novo ministro
Advogado, Odair Cunha está em seu sexto mandato como deputado federal. Ao longo da carreira, atuou como líder da federação PT-PV-PCdoB e participou da relatoria de diversas propostas que se tornaram lei.
Entre os destaques estão medidas relacionadas ao setor de eventos durante a pandemia e projetos ligados à formalização de empresas. Cunha também foi relator da CPMI do Cachoeira, que investigou relações entre o empresário Carlos Augusto Ramos e agentes públicos.
A eleição reforça o peso político da base governista no Congresso e amplia a influência de grupos aliados no Tribunal de Contas da União, órgão responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos federais.




