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Milei enfrenta alta rejeição de 64,5% e abre crise de confiança na Argentina

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Indicadores econômicos divulgados pelo governo contrastam com aumento do desemprego, fechamento de empresas e desgaste político do presidente argentino

Na época, o governo argentino restringiu saques bancários e congelou depósitos, provocando colapso econômico, protestos massivos e perda profunda de credibilidade nas instituições financeiras.. Foto Manoel Elias/ONU/Fotos Públicas

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Os dados econômicos divulgados pelo governo de Javier Milei mostram redução dos índices oficiais de pobreza na Argentina, mas o cenário social e político permanece marcado por forte deterioração da popularidade presidencial, aumento da precarização econômica e crescente desconfiança da população em relação ao sistema financeiro.

Segundo o Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec), equivalente argentino do IBGE, houve melhora nos indicadores sociais impulsionada pela desaceleração da inflação anual e pela estabilização parcial de alguns preços da economia. O governo Milei passou a utilizar os números como principal vitrine internacional de sua política ultraliberal de austeridade fiscal.

Apesar disso, pesquisas recentes da consultoria Zuban Córdoba apontam desaprovação de 64,5% ao governo, revelando um descompasso entre os indicadores macroeconômicos e a percepção cotidiana da população argentina.

DESEMPREGO, CORTES E DESGASTE SOCIAL

O desgaste político de Milei ocorre em meio ao aumento do desemprego, fechamento de milhares de pequenas e médias empresas e cortes profundos em áreas sociais, especialmente saúde pública, educação e assistência estatal.

Sindicatos, movimentos sociais e setores da oposição acusam o governo de transferir os custos do ajuste fiscal para trabalhadores, aposentados e servidores públicos, enquanto mantém políticas de desregulamentação financeira e abertura econômica.

Mesmo com a desaceleração inflacionária em relação aos picos registrados em 2024, o custo de vida segue elevado para grande parte da população. Produtos básicos, tarifas públicas e serviços continuam pressionando o orçamento das famílias argentinas.

Economistas críticos ao governo afirmam que a melhora estatística da pobreza não necessariamente reflete recuperação estrutural da renda, mas também mudanças metodológicas e impactos temporários ligados à estabilização monetária.

ESCÂNDALOS E ISOLAMENTO POLÍTICO

Além das dificuldades econômicas, o governo enfrenta sucessivos desgastes políticos provocados por denúncias envolvendo integrantes do gabinete presidencial e conflitos institucionais com governadores, sindicatos e universidades públicas.

Analistas políticos argentinos avaliam que Milei mantém apoio consolidado em setores liberais urbanos e parte do empresariado financeiro, mas enfrenta erosão crescente entre trabalhadores e classes médias afetadas pelo ajuste econômico.

A radicalização do discurso presidencial e os ataques frequentes contra opositores, imprensa e instituições também ampliaram o ambiente de polarização política no país.

TRAUMA DO “CORRALITO” E DESCONFIANÇA DOS BANCOS

Outro desafio central do governo argentino é a histórica desconfiança da população em relação ao sistema bancário, consequência direta de crises financeiras anteriores, especialmente o chamado “corralito” de 2001.

Na época, o governo argentino restringiu saques bancários e congelou depósitos, provocando colapso econômico, protestos massivos e perda profunda de credibilidade nas instituições financeiras.

Estimativas atuais indicam que os argentinos mantêm cerca de US$ 170 bilhões fora do sistema bancário formal, grande parte guardada em espécie, cofres privados ou no mercado informal dolarizado.

Tentando atrair parte desse capital de volta à economia formal, o governo Milei lançou recentemente medidas de flexibilização tributária e incentivos fiscais sob o slogan “alivie seu colchão”, numa referência ao hábito argentino de guardar dólares em casa.

Até agora, porém, os resultados foram considerados limitados. Especialistas apontam que a memória das crises financeiras, somada à instabilidade política recorrente, continua alimentando resistência da população em confiar plenamente nos bancos e nas políticas econômicas do governo.

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