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segunda-feira, maio 18, 2026
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Construtoras sumiram com dinheiro da Caixa Economica e famílias denunciam fraude em obras em vários estados

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Relatórios apontavam casas quase prontas, mas imóveis estavam abandonados; vítimas acumulam dívidas milionárias e risco de perder os terrenos

Em nota, a Caixa informou que apura eventuais irregularidades envolvendo funcionários e destacou que os contratos estabelecem que os pagamentos das construtoras são administrados pelos próprios clientes. Foto Ricardo Stuclert/PR

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O sonho da casa própria terminou em endividamento, obras paradas e acusações de fraude para dezenas de famílias que contrataram financiamentos habitacionais ligados à Caixa Econômica Federal em diferentes regiões do país. Casais relatam que construtoras receberam centenas de milhares de reais liberados pelo banco com base em laudos técnicos que indicavam avanço das obras, apesar de imóveis estarem inacabados ou praticamente abandonados.

Em um dos casos, Isael e Marcela contrataram um financiamento estimado entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para construir a residência da família. Três anos depois, o terreno segue sem conclusão e com sinais de abandono. A perícia realizada no caso apontou que assinaturas atribuídas à cliente teriam sido falsificadas em documentos usados para aprovar liberações financeiras. Enquanto os relatórios apresentados ao banco indicavam mais de 80% da obra executada, o laudo técnico concluiu que menos da metade havia sido construída.

A família interrompeu o pagamento das parcelas após suspeitar das irregularidades. Mesmo assim, foi informada de que o imóvel poderá ser levado a leilão para cobrir a dívida do financiamento. “Era para ser o lugar onde nossa filha ia crescer”, afirmou Marcela.

As denúncias se repetem em outros estados e indicam possível fragilidade no sistema de fiscalização das obras financiadas. No Rio Grande do Sul, Guilherme e Bruna financiaram R$ 290 mil para construir uma casa em Alvorada. Segundo o casal, o responsável pela obra se apresentava também como funcionário da Caixa e acompanhava todo o processo do financiamento.

Mesmo após a construtora receber mais de R$ 200 mil, a obra foi interrompida poucos meses depois. Nos documentos enviados ao banco, itens como cobertura, instalações hidráulicas e parte elétrica apareciam como praticamente concluídos, embora não existissem no local. O homem ligado à construtora acabou demitido por justa causa da Caixa após o caso ser denunciado, mas ainda não houve condenação definitiva na esfera criminal.

Em Pernambuco, outro casal denunciou uma construtora por supostamente cobrar valores acima do efetivamente executado. O proprietário da empresa foi condenado por estelionato em primeira instância. Segundo o processo, o prejuízo ultrapassou R$ 126 mil. A defesa recorre da decisão.

Especialistas ouvidos na investigação apontam que divergências entre os relatórios técnicos e o estágio real das obras poderiam ter sido detectadas durante as vistorias exigidas para a liberação do dinheiro. Pelo modelo utilizado nesses contratos, a Caixa libera parcelas conforme o avanço físico da construção atestado em laudos.

Em nota, a Caixa informou que apura eventuais irregularidades envolvendo funcionários e destacou que os contratos estabelecem que os pagamentos das construtoras são administrados pelos próprios clientes. Na prática, vítimas afirmam que houve falhas de fiscalização e confiança excessiva nos relatórios apresentados pelas empresas responsáveis pelas obras.

Apesar dos prejuízos, algumas famílias decidiram continuar as construções por conta própria, assumindo novos empréstimos e recorrendo à ajuda de parentes. Renata e Michel, por exemplo, afirmam ter investido mais de R$ 386 mil antes de descobrirem irregularidades. A casa só foi concluída após novos financiamentos e apoio familiar. “É a casa dos sonhos, a gente não quis desistir”, disseram.

A construtora Âmbar Prumo declarou que todas as obras seguiram as normas exigidas pela Caixa e que responderá às acusações na Justiça. Já Pedro André Marchesi Cecegolo, ex-funcionário da Caixa citado nas denúncias e ligado à construtora Vitro Viana, nega ter provocado prejuízos financeiros ao banco e contesta judicialmente a demissão. O proprietário da Multicons afirma que os valores recebidos foram integralmente utilizados nas obras e também recorre da condenação.

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