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quinta-feira, maio 21, 2026
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Agência de ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro faturou quase R$ 100 milhões

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Cálix Propaganda, de Marcello Lopes, venceu licitações na gestão Bolsonaro; publicitário deixou pré-campanha do senador em meio a crises

Fundada em 2003, a Cálix Propaganda obteve seus primeiros contratos de grande porte com a administração pública federal durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após vencer duas licitações Foto Tania Rego/Agencia Brasil

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BRASÍLIA — A agência Cálix Propaganda, que pertence ao publicitário, ex-policial civil e amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, Marcello Lopes, garantiu um faturamento expressivo de R$ 99.280.384,44 em faturas empenhadas pelo governo federal entre abril de 2022.

Conhecido nos bastidores políticos como “Marcellão”, o proprietário da agência confirmou sua saída da coordenação de comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi selada após conversas reservadas entre ambos. Embora sua integração oficial à campanha estivesse prevista para o dia 1º de junho, Lopes já comandava as estratégias de imagem do parlamentar nas últimas semanas. Ele alegou que o desligamento partiu de uma iniciativa própria para focar nos negócios de sua empresa. O comando da comunicação da campanha será assumido pelo publicitário Eduardo Fischer.

A saída de Lopes ocorre em um dos momentos mais críticos para o clã Bolsonaro. Pressionado pelo vazamento de áudios e pelo isolamento de suas bases políticas, o senador Flávio Bolsonaro recuou de sua linha de defesa inicial e admitiu publicamente ter feito uma visita reservada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O encontro ocorreu logo após a primeira prisão do executivo, quando este cumpria medidas restritivas de liberdade em São Paulo.

Origem na Gestão Bolsonaro e Sobrevivência no Governo Lula

Fundada em 2003, a Cálix Propaganda obteve seus primeiros contratos de grande porte com a administração pública federal durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após vencer duas licitações. Contudo, a prestação de serviços e o fluxo de faturamentos não foram interrompidos com a troca de comando no Palácio do Planalto, seguindo em execução regular e contínua sob a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O contrato mais robusto da agência foi assinado em dezembro de 2021 com o extinto Ministério do Desenvolvimento Regional, na época comandado por Rogério Marinho (PL-RN) — atual líder da oposição no Senado e coordenador geral da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. O teto do acordo previa até R$ 55 milhões anuais para serviços de publicidade.

O segundo contrato, estimado em até R$ 14,97 milhões por ano, foi conquistado em maio de 2022 por meio de uma licitação na qual a Cálix foi a única participante. O certame ocorreu no Ministério da Infraestrutura, então chefiado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo.

Raio-X Financeiro: Execução e ‘Restos a Pagar’

Somados, os dois contratos geraram faturas empenhadas de R$ 91,8 milhões no período. Devido a atrasos cronológicos nos repasses do governo federal ao longo dos últimos anos, o montante recebeu um acréscimo de R$ 7,5 milhões decorrentes de juros e multas por atraso.

De acordo com o balanço do portal da transparência orçamentária do governo, a agência recebeu efetivamente em caixa R$ 39,7 milhões desde a assinatura dos primeiros vínculos. Desse total:

  • R$ 22,6 milhões foram quitados dentro do próprio ano fiscal em que as notas foram faturadas.
  • R$ 17 milhões foram pagos nos anos seguintes, sendo incorporados na rubrica técnica de “restos a pagar” — mecanismo orçamentário no qual os recursos são reservados (empenhados) para um fim específico, mas o pagamento físico não é processado no mesmo ano, sendo empurrado para os orçamentos futuros.

Atualmente, o governo federal ainda possui um saldo devedor considerável com a agência de Marcello Lopes: restam R$ 32,9 milhões em notas fiscais faturadas para serem liquidadas ao longo deste ano, além de outros R$ 26,7 milhões acumulados de anos anteriores sob a forma de restos a pagar. Em razão do represamento dessas faturas de exercícios passados, quatro notas de empenho específicas sofreram correções monetárias que já adicionaram R$ 3,9 milhões a mais no valor final a ser pago pela União.

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