Esquema “Vida Sorte” vendia cartelas de R$ 10 e prometia prêmio de até R$ 100 mil; investigação aponta uso irregular de certificação e suspeita de lavagem de dinheiro
Em Piracicaba, a Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu dois homens suspeitos de comandar um esquema de sorteio ilegal chamado “Vida Sorte” na manhã de domingo, no bairro Vila Monteiro, no momento em que a transmissão era feita ao vivo pelas redes sociais. A ação ocorreu durante investigação que apura crimes como estelionato, jogo ilegal e lavagem de dinheiro, após denúncia sobre a venda de cartelas e movimentação financeira do grupo.
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Os presos têm 60 e 65 anos. O mais velho é apontado como o organizador do esquema, enquanto o outro aparecia como responsável formal pela empresa utilizada na operação. Segundo a investigação, o grupo vendia cartelas por R$ 10 com promessa de prêmio principal de R$ 100 mil, além de valores menores, com comercialização presencial e também por aplicativos de mensagens.
A empresa investigada teria sido aberta cerca de 45 dias antes da operação, com capital declarado de R$ 25 mil, valor considerado incompatível com o volume financeiro movimentado. A polícia apura ainda o uso irregular de um certificado ligado a uma entidade filantrópica do Pará, sem relação com o sorteio realizado.
De acordo com os investigadores, havia estimativa de emissão de até 100 mil cartelas, o que poderia gerar arrecadação próxima de R$ 1 milhão. A diferença entre os valores arrecadados e os prêmios anunciados levantou suspeita de possível esquema de lavagem de dinheiro.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 610 mil em espécie, três veículos de luxo, equipamentos eletrônicos, documentos e materiais de divulgação do sorteio. Mandados também foram cumpridos em endereços nos municípios de Piracicaba e Limeira, na região de Limeira.
Os dois investigados foram autuados por jogo ilegal, estelionato, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. As investigações seguem para identificar outros envolvidos e rastrear a movimentação dos valores obtidos no esquema.
Investigação financeira
A apuração policial indica que o foco agora é rastrear o fluxo do dinheiro movimentado pelo grupo, além de identificar possíveis conexões com outros operadores do esquema e eventuais beneficiários indiretos da estrutura financeira utilizada nas transmissões e vendas das cartelas.




