Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto; PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias
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O advogado e empresário Willer Tomaz, apontado como próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (4) no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e também teve como alvo o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Segundo a Polícia Federal, os mandados de busca e apreensão fazem parte de uma nova fase da investigação que apura a movimentação de recursos supostamente ligados ao esquema de descontos irregulares no INSS.
Em nota, Willer Tomaz afirmou que a operação contra ele ocorreu exclusivamente porque é proprietário de uma aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem particular. O advogado negou qualquer envolvimento com as fraudes investigadas e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
RELAÇÕES INVESTIGADAS
Apesar da defesa negar participação no esquema, o nome de Willer Tomaz já havia aparecido no contexto das investigações por sua atuação profissional junto a pessoas relacionadas ao caso.
O advogado representa Alexandre Caetano dos Reis, contador ligado à Brasília Consultoria Empresarial, empresa associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como um dos principais investigados no caso dos descontos fraudulentos.
A investigação busca esclarecer possíveis conexões financeiras e empresariais entre pessoas que aparecem em diferentes núcleos do caso. Até o momento, a PF não divulgou conclusão sobre eventual participação de Tomaz nas fraudes.
Caetano dos Reis também possui relação profissional com outras pessoas ligadas ao ambiente político. Ele é irmão de Letícia Caetano dos Reis, indicada para atuar no escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
RELAÇÃO COM FLÁVIO BOLSONARO
Willer Tomaz ganhou projeção pública por sua proximidade com Flávio Bolsonaro. Os dois apareceram juntos em viagens e em episódios que envolveram interesses patrimoniais ligados ao senador.
Em 2019, Tomaz e Flávio Bolsonaro realizaram saques em dinheiro em um cassino de Las Vegas, nos Estados Unidos. Segundo os envolvidos, os valores seriam destinados a apostas no estabelecimento, prática permitida nos cassinos americanos.
O episódio ganhou repercussão porque ocorreu em um período em que Flávio Bolsonaro era investigado por movimentações financeiras relacionadas ao antigo gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O senador negou irregularidades.
O advogado também esteve envolvido em outra investigação de grande repercussão. Em 2017, foi preso preventivamente durante a Operação Patmos, acusado de suposta tentativa de interferência em decisões judiciais envolvendo o empresário Joesley Batista. Tomaz negou as acusações e posteriormente deixou a prisão.
DISPUTA POR MANSÃO EM ANGRA
O nome de Willer Tomaz voltou ao noticiário após uma disputa envolvendo uma mansão em uma ilha de Angra dos Reis (RJ), avaliada em cerca de R$ 10 milhões, que também envolveu o jogador Richarlison.
Flávio Bolsonaro chegou a ser citado no episódio por seu interesse anterior pelo imóvel e por aparecer como testemunha em uma disputa judicial relacionada à propriedade. O senador negou qualquer irregularidade.
DEFESA
Em nota, Willer Tomaz afirmou:
“(…) a diligência de busca e apreensão decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.”
A Polícia Federal ainda não apresentou denúncia contra Willer Tomaz. A operação tem como objetivo reunir provas e esclarecer possíveis conexões entre os investigados. A eventual responsabilização criminal dependerá do resultado das investigações e de decisões posteriores da Justiça.




