
Sugerida pelo corregedor Carlinhos Camelô (PSB) após representação de Benê Lima (PL), medida sem vencimentos abre “terceira via” política enquanto prazo para julgamento de cassação se aproxima
A Corregedoria da Câmara Municipal de Campinas concluiu a apuração sobre a conduta do vereador Vini Oliveira (Cidadania) e propôs a suspensão de seu mandato por 60 dias, sem o recebimento de vencimentos. A representação que deu origem ao processo foi apresentada pelo vereador Benê Lima (PL), que relatou a divulgação de um vídeo no qual Vini lhe atribuía conduta ofensiva de natureza sexual, gerando dano à honra e repercussão pública. O corregedor Carlinhos Camelô (PSB) entendeu que houve infração ética e disciplinar, fundamentando a punição no Código de Ética Parlamentar. A recomendação foi formalizada por Projeto de Resolução e depende de deliberação em plenário dentro do prazo de até 30 dias.
A proposta de afastamento surge em meio a um cenário de forte pressão contra o parlamentar do Cidadania, tramitando de forma paralela ao processo conduzido pela Comissão Processante (CP), que aprovou por unanimidade o relatório do vereador Otto Alejandro (PL) recomendando a cassação definitiva de Vini Oliveira (Cidadania). A denúncia que originou a CP foi apresentada pela vereadora Mariana Conti (PSOL) e teve como foco as reuniões privadas feitas por Vini na sede da Smile Transportes, concessionária do lote norte do transporte público municipal, o que foi considerado um conflito de interesses.
Nos bastidores da casa legislativa, a medida disciplinar sugerida pela Corregedoria passou a ser avaliada como uma alternativa política para parlamentares que consideram a perda definitiva do mandato uma sanção excessiva. Enquanto para a cassação são necessários ao menos 22 votos favoráveis entre os 33 vereadores em plenário, a suspensão de dois meses sem salário surge como uma solução intermediária para punir as infrações éticas cometidas pelo vereador sem excluí-lo definitivamente do Legislativo.
O presidente da Câmara, Luiz Rossini (Republicanos), ainda não definiu a data para a votação do relatório final da Comissão Processante, cujo prazo limite de conclusão se encerra no dia 15 de setembro. Paralelamente às articulações de plenário com os demais vereadores — como Dr. Yanko (PP) e Paulo Haddad (PSD) —, Vini Oliveira (Cidadania) passou a utilizar suas redes sociais e a campanha para deputado estadual para classificar o processo como uma perseguição promovida por adversários políticos.


