Gaeco e Polícia Militar cumprem 26 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão em investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro; vereador é suspeito de integrar estrutura de monitoramento do grupo
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, e a Polícia Militar deflagraram nesta terça-feira (15) a Operação Nexus, contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de capitais em Itatiba. A ação cumpre 26 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão em Itatiba e Campinas.
Entre os alvos estão um vereador de Itatiba e um policial militar. A investigação aponta que o vereador seria ligado ao núcleo de monitoramento da organização. Mandados de busca foram cumpridos na residência do parlamentar e também na Câmara Municipal.
Segundo o Ministério Público, a organização teria uma estrutura permanente dividida em diferentes setores, incluindo comando e lavagem de capitais, gerenciamento operacional, monitoramento e vigilância, abastecimento e distribuição de drogas, logística e suporte e pontos de venda.
Sistema de vigilância funcionaria 24 horas
De acordo com as investigações, o grupo teria implantado em Itatiba um sofisticado sistema de monitoramento para acompanhar a movimentação das forças de segurança.
A estrutura funcionaria durante 24 horas e permitiria que integrantes da organização fossem avisados sobre a aproximação de policiais. Com a informação, os criminosos poderiam esconder drogas, retirar vendedores das ruas ou interromper temporariamente as atividades ilegais. É justamente nesse núcleo que, segundo o Gaeco, estaria a atuação atribuída ao vereador alvo da operação.
A investigação ainda precisa esclarecer a extensão da participação do parlamentar e quais seriam, concretamente, as informações ou serviços que ele teria fornecido ao grupo.
Principal alvo é apontado como integrante do PCC
O principal investigado é um homem conhecido como “Tim”, apontado pelas autoridades como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, ele possui antecedentes por tráfico de drogas e roubo e seria responsável, juntamente com a esposa, pelo núcleo de comando e lavagem de capitais da organização. O casal foi alvo de prisão em um condomínio de alto padrão em Itatiba.
A investigação também aponta que Tim teria movimentado e negociado mais de 20 veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Lamborghini, Ferrari e Porsche. A utilização de veículos de alto valor aparece como um dos elementos investigados na possível ocultação e movimentação de recursos provenientes das atividades criminosas.
Lojas de veículos entram no radar
Três lojas de veículos também são alvo da Operação Nexus. Duas ficam em Itatiba e uma em Campinas. Segundo as investigações, os estabelecimentos poderiam ter sido utilizados para lavagem de dinheiro.
Um dos investigados, proprietário de uma das lojas, é apontado como alguém que funcionaria como uma espécie de intermediário financeiro do principal alvo da operação. Os pagamentos relacionados a esse investigado ultrapassariam R$ 2 milhões, segundo o levantamento feito durante a investigação.
A suspeita é de que as empresas e transações envolvendo veículos tenham sido utilizadas para movimentar ou dar aparência legal a recursos provenientes do tráfico de drogas.
PM também é investigado
A Corregedoria da Polícia Militar participa da operação e cumpre mandados contra um policial militar investigado por uma suposta relação com o principal alvo da operação. A investigação deverá apurar qual era a natureza desse vínculo e se o policial teria fornecido informações ou algum tipo de proteção ao grupo.
Até o momento, a existência de uma investigação ou de um mandado de busca não significa condenação. A eventual responsabilidade criminal dos investigados deverá ser definida pela Justiça após o avanço das apurações e o exercício do direito de defesa.
Operação atinge toda a estrutura
O nome Nexus, escolhido para a operação, ganha dimensão na própria estrutura descrita pelos investigadores. A ofensiva não está concentrada apenas nos pontos de venda de drogas.
A operação procura atingir a cadeia completa atribuída à organização: comando, dinheiro, monitoramento, distribuição, logística e comercialização.
A presença de um vereador e de um policial militar entre os alvos amplia a investigação para além do tráfico nas ruas e levanta suspeitas sobre possíveis mecanismos de informação e proteção que poderiam permitir ao grupo antecipar operações policiais.
Agora, o material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores para determinar o papel de cada suspeito e dimensionar a eventual participação de agentes públicos e empresas no esquema.
A investigação segue sob responsabilidade do Gaeco de Campinas, com participação da Polícia Militar e de sua Corregedoria.




