Projeto de R$700.000 provoca dúvidas e divergências de opiniões em moradores da região
O conjunto marco de entrada do Parque Linear dos ribeirões Pires e das Cabras, que possui uma extensão de 22,5 quilômetros, está em vias de finalização: um obelisco de 15 metros de altura já está pronto, ainda resta concluir o calçamento em mosaico português e o Centro de Informações Turísticas da APA-Campinas (Área de Proteção Ambiental) será inaugurado neste mês. No entanto, a obra continua causando, aos moradores do distrito, questionamentos e dúvidas que vão desde a definição do projeto até a preservação de áreas nativas. Segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura, o conjunto da obra – construção prédio turístico, revitalização da praça com obelisco, e reforma da Praça Santa Rosa – geraram um custo de R$700.000.
De acordo com informações já publicadas na última edição do Jornal Local, o arquiteto responsável pela obra, Caio Ferreira, explica que o monumento é um projeto urbanístico que remete uma identidade ao local. Segundo ele, na Roma Antiga esse tipo de obelisco, que tem o formato de um olho, ficava do lado de fora dos templos e representavam o “benben”, conhecido como o símbolo sagrado do Sol. A influência do culto deixou marca na arquitetura.
Para a artista plástica Norma Vieira, que entende a construção como desnecessária, a prioridade teria que ser atribuída ao paisagismo e urbanismo. “Hoje, é muito mais importante conservar o verde e limpar a entrada dos distritos, se a intenção é tornar Sousas e Joaquim Egídio referência para artes, lazer, gastronomia e turismo”, afirma a artista plástica que também atenta para a poluição visual. “Antes da construção do obelisco, a preocupação teria que girar em torno de placas que se tornam poluidoras de ambientes”, opina.
A presidente do Congeapa, Giselda Person, diz que quando teve conhecimento do conjunto de obras, o obelisco não estava incluso no projeto. Sobre o marco de entrada de Sousas e Joaquim Egídio, ela o considera nada ecológico. “O termo Parque Linear deve ser utilizado para aqueles que acompanham as margens dos rios, com reflorestamentos, pistas de caminhada, entre outros, e não para acompanhar avenidas. Em nossas discussões dissemos que não concordávamos com este termo, que deveria ser utilizado só quando o parque chegasse à margem dos rios e ribeirões”, afirma.
No que diz respeito à preservação do meio ambiente e à ecologia, a arquiteta da subprefeitura de Sousas e autora do projeto, Martha Mattosinho, diz que as árvores existentes no local foram todas preservadas, tanto no projeto como na obra. “Tanto na Praça Ernesto Lorensetti, como nos demais trechos em que o projeto da ciclovia-parque coincidirá com os canteiros centrais da Av. Dr. Antonio Carlos Couto de Barros, não haverá supressão da vegetação existente. Isso porque as árvores ali plantadas compõem um projeto de paisagismo doado e realizado pela ONG Ambiente Total, desde 2000, no qual executaram os serviços necessários para tal paisagismo e manutenção”.
Ainda de acordo com a arquiteta, o projeto da ciclovia-parque prevê a manutenção de todas as espécies plantadas e o enriquecimento com árvores apropriadas, nos locais de praças que passarão por revitalização.
BOX:
Ponto de informações turísticas será inaugurado em junho
Sousas recebe na primeira quinzena de junho um ponto de informações turísticas, que está localizado na avenida principal, Av. Antonio Carlos Couto de Barros, e funcionará de segunda a domingo, em horário comercial, das 9 às 18 horas. O local será referência para as pessoas que vistam os distritos de Sousas e Joaquim Egídio. O objetivo é divulgar tudo o que há de melhor nas seções de gastronomia, entretenimento, esportes, circuito turístico, turismo rural, lazer e esportivo.
De acordo com a assessoria de imprensa, o local contará com câmeras de segurança, em que será instalado um sistema de alarme coma Guarda Municipal. A inauguração está prevista pata o próximo dia 21, sábado, às 10h30.
Nathália Bernardi




