Todos eram iguais perante a lua, costuma dizer Lili. Todas as manhãs, ao abrir a porta de sua casa, e ir para a cidade no Distrito de Joaquim Egidio, em Campinas (onde o veneno é ingerido pelo silêncio nas rodas de fuxico). Lili achava sua casa fantástica, e os vizinhos mal assombrados. Tinha ate ninho de beija-flor, aranhas que teciam sonhos, libélulas lilases que incendiavam seus caminhos. Certo dia, só sei que Tiannha se mandou sem dar notícias. Dizem que foi pra Brasília cuidar de sua mãe, Dona Ana, que adorava observar o fantástico andar dos gatos no meio da escuridão, sob a luz de um pequeno lampião. Num domingo, dia santo, dia de missa de sétimo dia, foi o maior fuzuê. O comentário era geral, do padre ao bar central. Uns mistérios suaves, cheios de aroma e muita imaginação. Os fuxiqueiros de plantão diziam que Lili mantinha presa em seu quarto uma menina. Ate seu Delegado, que nunca estava apareceu. Uma coisa Ordinária, pois Lili nem casada era. Um espanto. Coisas que nem os loucos de estandarte tiveram explicação. A tal boneca de milho tinha abandonado o sono e criado vida. Pulou do silencio e adorava jogar pedrinhas em moscas, em dia de lua cheia. Começou a chover palavras por toda a região. Lili adotou a boneca de milho como se fosse sua filha e todas as noites as duas fuxicavam ate o dia amanhecer. Na verdade todo o barulho era a essência da poesia, entre Lili e a boneca. Bonecas sorriem quando se sentem crianças, são viventes, as histórias de pais, quando se apagam as luzes de pequenos lampiões, acendemos as estórias de infância que permanecera para sempre.
Sebastian Marques




