Estão em cartaz, no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, dois trabalhos resultantes de pesquisas cênicas, de graduandas de Dança no Instituto de Artes da Unicamp.
As apresentações mostram, através da dança, particularidades de realidades culturais complexas, que situam-se à margem da sociedade brasileira, e portanto são ignoradas pela maior parte das pessoas.
Em “Nascedouro”, a bailarina-pesquisadora-intérprete Elisa Costa realizou pesquisa de campo na aldeia Xavante de Sangradouro, no Mato Grosso, co-habitando com esta realidade. Além do aprofundamento no estudo desta etnia, focado principalmente na observação das mulheres xavantes, o trabalho envolveu também estudos de Imagem Corporal e o contato com notícias atuais envolvendo a complexidade da questão indígena no Brasil. A resultante de tudo isso traz esses temas com o intuito de ir além dos estereótipos para penetrar em questões que, mesmo tratando-se de um contexto cultural distinto e desconhecido pela grande maioria, dizem respeito ao ser humano, seus impulsos, sentidos, instintos. Em uma personagem mesclada à terra e à natureza, a afirmação da vontade de viver fica evidente em suas metamorfoses e buscas de novos caminhos.
Das mulheres colhedoras de café para a dança, “A flor do café”, é uma Pesquisa Cênica que teve desenvolvimento a partir do Co-habitar com a fonte com as mulheres colhedoras de café migrantes do Paraná para o sul de Minas Gerais. A bailarina-pesquisadora-intérprete Nara Calipo, em cinco idas a campo (durante um ciclo da colheita de café), procurou inserir-se no cotidiano dessas mulheres, entrando em contato estreito com a realidade desse corpo resistente, possuidor de uma riqueza corporal genuína e inqüestionáveis aspectos de habilidades, força e movimento. Jura, “A flor do café”, personagem que deu origem ao produto cênico, é quem desbrava de maneira bastante peculiar, carregada de imagens e significados, seu mundo dos pés de cafés. Sua realidade é desenvolvida no corpo, imbuído de sentidos que vão do sofrimento e do medo à felicidade e ao prazer. Contando com recurso de projeção de vídeo, as imagens do campo vão sendo projetadas durante a apresentação, inserindo o publico ainda mais no mundo de Jura.
As particularidades destes trabalhos estão na metodologia utilizada, Bailarino-Pesquisador-Intérprete, da prof. Dra. em artes Graziela Rodrigues, que trata a experiência de campo como sendo Co-Habitar com a Fonte, onde o pesquisador tem a oportunidade de despojar-se de máscaras e preconceitos para entrar em contato com realidades culturais muito distintas da sua. A partir desta vivência, a direção é realizada de forma que o intérprete utilize sua originalidade para expressar o que apreendeu em campo. O método, então, propõe a liberação de padrões sociais que nos distanciam de nós mesmos. Somos convidados a entrar na realidade interna concomitante à externa. O contato, através do Co-habitar, com realidades brasileiras marginalizadas potencializa a quebra desses padrões, pois traz ao nosso corpo outras maneiras de ser brasileiro, partes de nossa realidade que insistimos em negar e que, entretanto, estão profundamente enraizadas no nosso corpo, na nossa genética e no nosso inconsciente.
A direção dos trabalhos é de Graziela Rodrigues, e assistência de direção, Larissa Turtelli.
As apresentações acontecem esta semana, do dia 20 a 23 de novembro, sempre às 19:30.
APRESENTAÇÃO DE PESQUISAS CÊNICAS- Método Bailarino-Pesquisador-Intérprete (B.P.I.):
“Nascedouro”
Bailarina-Pesquisadora-Intérprete: Elisa Costa
“A flor do café”
Bailarina-Pesquisadora-Intérprete: de Nara Calipo
Direção: Graziela Rodrigues
Assistente de direção: Larissa Turtelli
Entrada franca.
datas: 20 a 23 de Novembro
horário: 19h30
local: Parque Ecológico Emílio José Salim
Rod. Heitor Penteado, Km 3,5 – Vila Brandina




