A crise financeira global aparentemente deu um tombo nas vendas de imóveis usados e na locação de imóveis residenciais no Estado de São Paulo em outubro. As vendas de casas e apartamentos foram 21,31% menores que as de setembro, quando a crise começou, e o número de imóveis alugados teve queda de 11,37% em relação ao mês anterior.
Os números foram levantados em pesquisa feita pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CRECI-SP) com 1.283 imobiliárias de 32 cidades, incluindo a Capital. Elas venderam no Estado, 620 imóveis em outubro. O índice de vendas, que estava em 0,6141 em setembro, caiu para 0,4832 em outubro, redução de 21,31%.
As 1.283 imobiliárias consultadas pelo CRECI-SP alugaram 1.953 casas e apartamentos no período, fazendo o índice estadual de locação baixar 11,37% – caiu de 1,7174 para 1,5222 (vide tabela 5 na pág. 16).
“Não sabemos se foi realmente culpa da crise, até porque a maioria dos corretores declara não ter havido redução da oferta de financiamentos, mas é muito provável que essa queda seja resultado da decisão de muitos potenciais compradores de não comprar ativos de valor enquanto a tempestade não amainar”, afirmou o presidente do CRECI-SP, José Augusto Viana Neto.
Sua análise leva em conta informações correntes entre os corretores e o resultado de pesquisa feita também em outubro pelo Conselho. De 31 imobiliárias consultadas na Capital, mais da metade – 61,29% – declarou não ter sentido redução na oferta de financiamentos para imóveis usados por parte dos bancos em outubro. Somente 25,81% declararam ter havido, enquanto 12,90% não responderam.
“Se não houve queda drástica no volume de crédito e também não aconteceu uma corrida de pessoas interessadas em comprar imóveis para investir como proteção às possíveis perdas nos investimentos financeiros, conforme declararam 80,65% dos corretores consultados, a explicação mais plausível é a de que houve um congelamento da decisão de compra”, enfatizou Viana Neto.
Ele espera que as medidas que o governo tomou para injetar recursos na economia, especialmente a que reduz o Imposto de Renda da classe média, contribuam para a recuperação da confiança e espantem o medo de contratar financiamentos de longo prazo. “Se a crise não causar impacto sensível no mercado de trabalho, outra variável fundamental do comportamento da economia e dos consumidores, é razoável esperar melhora das expectativas e conseqüentemente das vendas e da locação de imóveis”, afirmou Viana Neto.
Casas lideram vendas no Estado
A queda nas vendas em outubro atingiu três das quatro regiões em que estão agrupadas as cidades pesquisadas – 26,36% na Capital, 29,21% no Interior e 27,83% no Litoral. Somente as cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco escaparam – houve crescimento de 9,62% em relação a setembro.
Possivelmente não por acaso, foi essa região a única em que a maioria dos imóveis vendidos teve financiamento bancário – 58,82% do total. As vendas à vista responderam por 39,71% dos contratos. Na Capital as vendas à vista responderam por 63,74% dos negócios fechados, no Interior por 56,19% e no Litoral por 62,5% (vide quadros de 2 a 5 nas págs. 9 e 10).
A pesquisa CRECI-SP apurou que as casas foram o imóvel preferido dos compradores em outubro – 55% -, ficando os restantes 45% com os apartamentos. Já os responsáveis pelas imobiliárias divergiram em relação à percepção da situação do mercado em outubro comparativamente a setembro: 47,67% declararam que foi igual, 32,43% que foi pior e 19,90% que foi melhor (vide quadro 37 na pág. 16).
Os imóveis mais vendidos em outubro situaram-se em faixas de preços diferenciadas conforme a região do Estado. Na Capital, os mais vendidos, com 37,62% do total, foram os com preço final acima de R$200 mil. No Interior, a faixa entre R$81mil e R$100 mil respondeu por 19,91% dos negócios fechados (vide tabelas 1 a 4 na pág. 7).
No Litoral, os imóveis mais vendidos em outubro foram aqueles situados na faixa de valor entre R$41 mil e R$60 mil – concentraram 21,88% dos contratos. Os valores foram bem superiores na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco – 18,26% dos imóveis vendidos situaram-se na faixa de R$141 mil a R$160 mil e acima de R$200 mil.
O imóvel de menor valor encontrado pela pesquisa entre os vendidos em outubro foram as casas de 3 dormitórios localizadas na área central de Araçatuba. O preço médio mínimo do m2 foi de R$324,22, e o máximo, de R$525,00 (vide quadro 7 na pág. 10).
O imóvel de maior valor em outubro – R$3.814,43 o m2 – foram os apartamentos de 3 dormitórios situados em bairros centrais da cidade de São Bernardo do Campo. Entre esses extremos, a pesquisa CRECI-SP apurou preços diversos em cidades como Jundiaí – mínimo de R$1.062,50 por casas de 3 dormitórios na periferia e máximo de R$1.942,85 por casas de 2 dormitórios no Centro – e Praia Grande, onde o preço mínimo de m2 foi de R$857,14 por casas de 2 dormitórios localizadas na região central e o máximo de R$2.214,29 por apartamentos de 2 dormitórios também situados nessa área (vide quadros 13, 25 e 36 nas págs. 11,14 e 16).
Locação caiu em todas as regiões
A queda no número de imóveis alugados em outubro atingiu as quatro regiões em que se agrupam as cidades pesquisadas. Na Capital, ela foi de 1,44%; no Interior, de 22,66%; no Litoral, de 13,75%; e na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco, de 6,99%. A inadimplência no Estado em outubro foi 13,21% maior que em setembro, passando de 4,24% para 4,8% dos contratos em vigor (vide tabela 10 na pág. 27).
Os imóveis mais alugados em outubro foram as casas, com 65,64% do total. Imóveis com aluguel entre R$401,00 e R$600,00 concentraram 31,33% dos novos contratos na Capital. No Interior, a faixa de R$201 a R$400, apontou a maior concentração com 39,89% das novas locações, e com 32,18% na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco. No Litoral, a maioria dos novos contratos – 33,98% – teve como objeto casas e apartamentos com aluguel na mesma faixa da Capital (vide tabelas 6 a 9 na pág. 17).
Os contratos assinados com garantia do fiador no Interior – 85,23% – representaram mais que o dobro dos formalizados do mesmo modo na Capital (40,84%) e na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco (40,61%). No Litoral, o fiador esteve presente em 48,57% dos novos contratos (vide quadros 38 a 41 nas pág. 19).
A pesquisa CRECI-SP apurou que o aluguel mais barato do Estado em outubro foi de R$120,00 – valor de casas de 1 dormitório localizadas na periferia de Santo André, região em que o valor máximo é de R$400,00 para este tipo de imóvel. O aluguel mais caro – R$5.000,00 – foi encontrado em São Bernardo do Campo e se refere a casas de 3 dormitórios localizadas em área nobre da cidade (vide quadros 62 na pág. 24 e 63 na pág. 25).
A pesquisa CRECI-SP foi feita em 32 cidades: Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Ubatuba, Guarujá, Santos, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe e Praia Grande.




