Parecer do perito Ricardo Molina, que atuou no caso da morte de PC Farias, sustenta que gravações não seriam originais nem autênticas; CP da Câmara decide nesta quinta-feira se investigação prossegue
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A defesa do vereador Vini Oliveira protocolou na Câmara Municipal de Campinas um parecer técnico que contesta a autenticidade dos vídeos utilizados como base para o pedido de cassação de seu mandato. O documento, apresentado nesta terça-feira (30), afirma que as imagens teriam sido editadas e manipuladas e sustenta que os envelopes recebidos pelo parlamentar durante reunião com representantes da empresa Smile Turismo continham apenas documentos relacionados ao transporte coletivo.
O parecer é assinado pelo perito criminal Ricardo Molina, um dos profissionais mais conhecidos do país em perícia forense e responsável pela perícia oficial no caso da morte de PC Farias, ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor, um dos episódios de maior repercussão da história política brasileira. Segundo a defesa, a análise técnica concluiu que os vídeos apresentados na denúncia não são arquivos originais e apresentam cortes, efeitos artificiais e aplicação de máscaras de desfoque, fatores que, de acordo com os advogados, comprometem sua autenticidade e eventual utilização como prova.
Na manifestação encaminhada à Comissão Processante, os advogados afirmam que as gravações não mostram a entrega de dinheiro e reiteram que Vini Oliveira autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal para demonstrar que não recebeu qualquer vantagem indevida. A defesa sustenta ainda que o vereador sempre colaborou com as investigações e defende o arquivamento da denúncia por ausência de elementos suficientes.
A Comissão Processante é composta pelos vereadores Paulo Haddad (PSD), presidente; Otto Alejandro (PL), relator; e Dr. Yanko (PP). O colegiado tem prazo de cinco dias para analisar a defesa preliminar e decidir se o processo seguirá para a fase de instrução ou será arquivado. A reunião está prevista para esta quinta-feira (2).
Em entrevista à CBN Campinas, o presidente da comissão, Paulo Haddad, afirmou que a análise será exclusivamente técnica. “Nosso papel é analisar tecnicamente a defesa e verificar se há elementos mínimos para dar continuidade. Não cabe juízo antecipado, mas sim respeito ao rito legal”, declarou.
Haddad explicou que, caso a comissão conclua pela inexistência de justa causa, o arquivamento ainda dependerá da aprovação do plenário da Câmara. Por outro lado, se os vereadores entenderem que existem indícios suficientes, o processo seguirá automaticamente para a fase de instrução, com produção de provas, oitivas de testemunhas e coleta de depoimentos.
O processo de cassação foi instaurado após a divulgação de vídeos que mostram Vini Oliveira recebendo envelopes durante uma reunião realizada na sede da Smile Turismo, empresa integrante do consórcio vencedor da licitação do transporte coletivo de Campinas. O conteúdo dos envelopes nunca foi oficialmente confirmado pelas autoridades. A abertura da Comissão Processante foi aprovada por unanimidade pelos vereadores.
Paralelamente, a Corregedoria da Câmara também conduz procedimento para apurar eventual quebra de decoro parlamentar. O caso ainda é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador e a empresas citadas nas investigações.
Em resposta à reportagem, o Ministério Público e a Polícia Civil informaram apenas que as investigações seguem sob sigilo e, por esse motivo, não divulgarão detalhes sobre o andamento do caso.
Vini Oliveira nega qualquer irregularidade e afirma que recebeu exclusivamente documentos relacionados ao sistema de transporte público. O vereador também declarou publicamente ser favorável à quebra de seus sigilos bancário e fiscal para comprovar a inexistência de pagamentos ilícitos.
A Comissão Processante tem prazo de até 90 dias, contados a partir de 17 de junho, para concluir os trabalhos. Caso a investigação seja mantida, o relatório final, recomendando o arquivamento ou a cassação do mandato, deverá ser votado pelo plenário da Câmara de Campinas até 15 de setembro de 2026.




