Imóvel representa cerca de 76% do patrimônio informado pelo candidato do PL ao TSE; avaliações de mercado citadas pela GloboNews apontam valor entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma casa localizada no Lago Sul, em Brasília, por R$ 6.226.043,80. O imóvel, adquirido em 2021, corresponde a aproximadamente 76% dos R$ 8.186.555,83 em bens informados pelo parlamentar à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026. Reportagem da GloboNews ouviu corretores imobiliários que estimaram o valor de mercado da propriedade entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. A diferença entre o valor declarado e uma estimativa de mercado, entretanto, não significa, por si só, irregularidade.
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A declaração apresentada ao TSE mostra uma forte concentração do patrimônio de Flávio no imóvel. Além da casa, o candidato informou possuir R$ 1.090.520,47 em fundo de investimento multimercado, R$ 568.730,23 em valores mantidos em bancos, R$ 133 mil referentes a um veículo de 2014, R$ 103.746,23 em poupança e R$ 8.266,10 em CDB, entre outros bens e participações societárias.
A diferença entre o valor declarado e o valor de mercado
O ponto que chama atenção na declaração eleitoral é a distância entre o valor informado ao TSE e as estimativas atribuídas a profissionais do mercado imobiliário. Considerando a faixa de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões mencionada pela GloboNews, o imóvel poderia ter um valor de mercado entre aproximadamente R$ 3,77 milhões e R$ 5,77 milhões superior ao valor registrado na declaração eleitoral.
É necessário, porém, fazer uma distinção técnica. A declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral não equivale necessariamente a uma avaliação imobiliária atualizada pelo preço de mercado. O valor informado pode estar relacionado ao custo de aquisição e aos registros patrimoniais do proprietário. Portanto, somente a comparação entre a declaração eleitoral e uma avaliação formal, acompanhada da documentação do imóvel, permitiria concluir se existe alguma inconsistência relevante.
A casa de Flávio foi adquirida em 2021 por aproximadamente R$ 5,97 milhões, segundo registros imobiliários divulgados à época. O imóvel, situado no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, possui cerca de 1,1 mil metros quadrados e foi anunciado originalmente com quatro suítes, academia, piscina e spa com aquecimento solar.
O imóvel também foi financiado pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles, a aquisição ocorreu em 2021 e o financiamento foi quitado em 2024. Para realizar a operação, Flávio declarou ter vendido outros bens, entre eles um apartamento na Barra da Tijuca e uma loja da franquia Kopenhagen.
Patrimônio cresceu desde 2018
A declaração entregue ao TSE mostra que Flávio Bolsonaro informou patrimônio de R$ 8,18 milhões em 2026. Em 2018, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro, havia declarado R$ 2,63 milhões. A diferença corresponde a um crescimento nominal de aproximadamente 211% no período. Em relação aos R$ 1,74 milhão declarados na eleição de 2018 em outra base de comparação, veículos que analisaram as declarações apontaram crescimento de cerca de 370%.
A própria campanha de Flávio afirma que a aquisição e a posterior quitação da casa foram compatíveis com os rendimentos obtidos pelo senador, sua atividade como advogado e a renda da esposa, que trabalha como dentista em Brasília. Essa é a explicação apresentada pela defesa para a formação dos recursos utilizados na operação.
Outro elemento registrado nas reportagens sobre o imóvel é a participação de recursos provenientes da venda de patrimônio anterior. Segundo as informações divulgadas, Flávio deixou, em 2021, uma franquia da Kopenhagen que mantinha no Shopping Via Parque, no Rio de Janeiro.
Por que um imóvel adquirido por aproximadamente R$ 5,97 milhões e declarado atualmente por R$ 6,22 milhões teria estimativa de mercado entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões?
A resposta passa pela documentação do imóvel e pela metodologia das avaliações. Sem esses elementos, a diferença é um dado que merece investigação, mas não constitui prova de irregularidade.
O patrimônio como questão eleitoral
A divulgação dos bens de Flávio Bolsonaro ocorre no início de uma campanha presidencial em que o patrimônio dos candidatos será submetido ao escrutínio público. No caso do senador, a casa do Lago Sul se tornou o principal componente de sua declaração patrimonial e concentra a maior parte dos bens informados ao TSE.
Do ponto de vista político, a questão pode ser explorada por adversários durante a campanha, principalmente porque o imóvel representa uma parcela expressiva do patrimônio declarado e porque existe uma diferença significativa entre o valor registrado pelo candidato e as estimativas de mercado mencionadas pela imprensa.
O histórico patrimonial também merece ser analisado sem conclusões antecipadas. O crescimento informado entre 2018 e 2026 é expressivo, mas a explicação para essa evolução depende da análise individual das operações que compõem o patrimônio. O TSE recebe a declaração de bens, mas uma declaração eleitoral, isoladamente, não substitui uma auditoria financeira.



