23.4 C
Campinas
sexta-feira, abril 17, 2026
spot_img

Geração de emprego depende de redução da taxa de juros, avaliam economistas

Data:

Deputado do PT protocolou na Câmara um requerimento para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explique a atual política monetária da instituição e o erro contábil no fluxo cambial apresentado pelo BC no ano de 2022.

 

 

Em 2022, a maioria do povo brasileiro escolheu, pelo voto, um projeto comprometido com a economia popular e a geração de empregos, a erradicação da fome, o aumento do salário mínimo acima da inflação e a oferta de escolas de qualidade às nossas crianças. Para esse projeto vencedor nas urnas virar realidade, no entanto, é preciso fazer o país crescer, com investimentos públicos e a execução urgente de políticas sociais. Mas a vontade do eleitor encontra um entrave: a taxa de juros, atualmente, no elevado patamar de 13,75%, uma decisão que põe em risco as chances retomar o desenvolvimento por uma paralisia econômica.

Diante do debate aberto pelo presidente Lula sobre a necessidade de o país reduzir a taxa de juros para que o governo possa investir e estimular a economia pelo consumo sustentável das famílias, economistas têm reforçado a tese de que a atual taxa da Selic, estabelecida pelo Banco Central na última semana, não é sustentável social e economicamente. E mais: ela não é eficaz no combate à inflação.

Mantendo-se a taxa como está, avaliam especialistas e parlamentares do PT, ficam inibidas a tomada de crédito de pessoas físicas e pequenas e médias empresas – que irão reduzir suas contratações -, a execução de políticas públicas como o Bolsa Família, a construção de escolas, hospitais e rodovias, e outras obras estratégicas de infraestrutura.

“O Brasil precisa retomar um processo de geração de emprego e principalmente de garantir renda ao trabalhador e a trabalhadora”, afirmou o líder da bancada do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PT-PR). “Para isso, vamos ter que conduzir medidas na área econômica que contemplem o trabalhador e a trabalhadora, o setor produtivo”, explicou Dirceu.

“Pasmem!”, exclamou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (7). “A avaliação do Boletim Focus, que reúne muitas instituições do mercado financeiro, é de um crescimento de 0,79%. O nome disso é estagnação econômica”, alertou Lindbergh, antes de lembrar o país os motivos pelos quais Lula foi eleito presidente.

“O compromisso do Lula na campanha foi com geração de empregos, retomada das obras paradas, esse é o nosso norte”, argumentou o petista. “Não podemos aceitar que um presidente do Banco Central freie a economia do país”, advertiu.

Lindbergh protocolou na Câmara um requerimento para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explique a atual política monetária da instituição e o erro contábil no fluxo cambial apresentado pelo BC no ano de 2022.

 

Bresser: “Taxa de juro é um escândalo”

No início da semana, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira se pronunciou sobre a taxa de juro real do país, hoje beirando 8%. “Qual é a taxa de juros [real] razoável, para um economia como a brasileira, para combater a inflação? É 2%, 3%, no máximo”, resumiu o economista , em entrevista à TV 247.

Para, Bresser, que participou ativamente das discussões em torno da criação do Plano Real, nos anos 90,  a taxa de juro real de hoje é um escândalo. “Isso não faz o menor sentido, e Lula tem toda a razão”, assentiu. Para o economista, falta prudência e moderação ao BC no enfrentamento do problema.

 

Juros altos agravam déficit fiscal

“É um absurdo, não só porque impede qualquer crescimento econômico, como isso também aumenta o déficit fiscal. O governo então, em vez de gastar em educação e saúde, gasta em juros para os rentistas, isso não faz o menor sentido”, criticou o economista.

De fato, a pressão sobre a taxa de juros acarreta em um desnecessário aumento de gastos com a dívida pública. “Para o Banco Central Independente, a cada aumento de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, a dívida líquida do setor público (Dlsp) cresce R$ 38 bilhões”, constatou o economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto Lula.

“Como a Selic aumentou 11,75 pontos percentuais entre agosto de 2020 (2%) e dezembro de 2022 (13,75%), o impacto na Dlsp foi de R$446,5bi”, apontou o economista. “Um gasto improdutivo”, lamentou.

Lei de Independência do BC

Bresser também condenou a Lei de Independência do Banco Central, que além de conferir a Campos Neto um mandato não coincidente com o do presidente da República, não produziu nenhum resultado positivo sobre a produção de riquezas ao país.

“Não havia nenhuma necessidade da aprovação de um mandato fixo para o presidente do BC”, insistiu Bresser, para quem a situação é muito desagradável. “Por que Lula fala sobre isso? Porque ele é o comandante da nação, tem um programa de governo, uma responsabilidade perante a sociedade e tem de falar forte, firme, é papel dele”, defendeu.

Da Redação, com PT na Câmara e Agência Câmara de Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Dólar recua ao menor nível em dois anos sob efeito de incertezas nos EUA

Movimentos da política externa de Donald Trump impulsionam fluxo...

Governo estuda liberar FGTS para quitar dívidas em novo pacote de crédito

Medida em análise pela equipe econômica pode beneficiar famílias...

Queda da Selic não alivia dívida e Brasil seguirá pagando mais de R$ 1 trilhão em juros ao ano

Mesmo com cortes nos juros, custo da dívida pública...

Governo eleva impostos sobre fintechs e bets para fechar contas de 2026

Cortes de benefícios tributários elevarão receitas em R$ 16,5...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade