25.9 C
Campinas
sábado, dezembro 6, 2025
spot_img

Governo reage a proposta de Derrite e vê ameaça ao papel da Polícia Federal

Data:

Mudanças no projeto “Antifacção” geram crise interna e preocupações diplomáticas


Por Redação Jornal Local

O substitutivo apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) ao projeto de lei Antifacção provocou reação imediata no governo federal e levantou questionamentos jurídicos sobre possíveis violações constitucionais. O texto, que será analisado pela Câmara dos Deputados, altera de forma significativa a proposta enviada pelo Executivo e é considerado um retrocesso por técnicos do Ministério da Justiça e por integrantes da Polícia Federal (PF).

>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

O projeto original, elaborado por um grupo de trabalho formado por promotores, delegados e especialistas em segurança pública a pedido do ministro Ricardo Lewandowski, previa o fortalecimento da Lei das Organizações Criminosas (12.850/2013). A intenção era criar instrumentos mais eficazes para o enfrentamento das facções e milícias, sem comprometer a autonomia da PF nem gerar conflitos com legislações internacionais. Em menos de um dia após assumir a relatoria, Derrite apresentou uma nova versão, transferindo as mudanças para a Lei Antiterrorismo (13.260/2016), o que gerou desconforto no governo e entre juristas.

A proposta inicial foi construída por um grupo técnico formado por promotores, delegados e especialistas a pedido do ministro Ricardo Lewandowski.. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

A principal crítica recai sobre o dispositivo que limita a atuação da Polícia Federal nas investigações sobre facções criminosas. O texto de Derrite determina que a PF só poderá atuar de forma complementar, mediante solicitação dos estados, o que, segundo especialistas, fere o artigo 144 da Constituição. A corporação manifestou publicamente sua contrariedade. Em nota oficial, o diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que “qualquer tentativa de restringir as atribuições da PF representa grave risco institucional” e reforçou que a corporação não aceitará acordos que reduzam sua autonomia. O Ministério da Justiça compartilha da mesma avaliação, considerando a medida inconstitucional por enfraquecer a coordenação nacional do combate ao crime organizado.

Facções tratadas como terroristas

Outro ponto que preocupa o governo é a equiparação de facções criminosas a grupos terroristas. Para técnicos e diplomatas, essa mudança pode causar efeitos internacionais indesejados, como a inclusão do Brasil em listas de vigilância financeira e possíveis sanções comerciais. Países que mantêm legislações rígidas contra o terrorismo, como os Estados Unidos, poderiam adotar medidas automáticas de retaliação. Apesar disso, Derrite argumenta que o comportamento das facções no Brasil “produz os mesmos efeitos devastadores que o terrorismo” e, portanto, merece o mesmo enquadramento legal.

As críticas se concentram em cinco frentes:

  1. limitação da atuação da PF,
  2. equiparação de facções a grupos terroristas,
  3. penas iguais para todos os envolvidos,
  4. endurecimento extremo na progressão de regime prisional, e
  5. destinação de bens apreendidos a fundos estaduais.

Penas máximas para todos

O substitutivo também é criticado por impor penas de 20 a 40 anos de prisão para qualquer tipo de envolvimento com facções ou milícias. A ausência de diferenciação entre líderes e executores, segundo procuradores e juízes, contraria o princípio da proporcionalidade penal. Na prática, quem monta uma barricada poderia receber a mesma punição que um chefe de facção. A avaliação técnica é que o texto ignora nuances do crime e cria o risco de superencarceramento, agravando a crise no sistema prisional.

A proposta ainda endurece a progressão de regime prisional, estabelecendo que condenados por crimes ligados a organizações criminosas cumpram de 70% a 85% da pena em regime fechado. A medida, segundo especialistas do Ministério da Justiça, vai contra entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que já considerou inconstitucional a proibição genérica de progressão de regime para crimes hediondos. A Corte entende que o cumprimento da pena deve levar em conta a gravidade concreta do caso e a possibilidade de ressocialização do condenado.

Recursos confiscados e risco de distorções

Outro ponto de discórdia é a destinação dos bens apreendidos de criminosos para fundos estaduais de segurança pública. O governo teme que essa medida estimule disputas entre forças policiais por recursos e desvie o foco da investigação, criando um “incentivo financeiro” para operações voltadas à arrecadação. Modelos semelhantes adotados nos Estados Unidos já demonstraram efeitos negativos, com aumento de abusos e perda de eficiência investigativa.

https://twitter.com/lazarorosa25/status/1988026818046169418?s=20

No Palácio do Planalto, a avaliação é que o texto apresentado por Derrite enfraquece a estrutura nacional de combate ao crime organizado e abre brechas para conflitos federativos e diplomáticos. A orientação do governo é buscar um adiamento da votação e retomar o diálogo com o Congresso para reconstruir o texto em bases constitucionais. Derrite, por sua vez, afirma estar aberto a sugestões e sustenta que o projeto “atende à cobrança da sociedade por mais rigor no enfrentamento das facções”.

https://twitter.com/senadorhumberto/status/1988207025386614984?s=20

A disputa em torno da proposta evidencia o embate político entre setores da segurança pública e o governo federal sobre o modelo de combate ao crime organizado. De um lado, o Ministério da Justiça defende uma abordagem integrada e baseada em inteligência; de outro, o relator e parte da bancada da segurança apostam em medidas mais duras, ainda que juridicamente controversas. A decisão da Câmara sobre o projeto deve se tornar um dos principais testes de força entre o Planalto e o bloco conservador no Congresso.

As críticas se concentram em cinco frentes:

  1. limitação da atuação da PF,
  2. equiparação de facções a grupos terroristas,
  3. penas iguais para todos os envolvidos,
  4. endurecimento extremo na progressão de regime prisional, e
  5. destinação de bens apreendidos a fundos estaduais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Reação de Malafaia ao nome de Flavio Bolsonaro expõe racha na extrema direita

Pastor critica anúncio do senador como pré-candidato e cobra...

Flávio Bolsonaro herda projeto do pai e revive suspeitas sobre dinheiro, milícias e mansão

Indicação de candidatura reacende casos de peculato, lavagem e...

Senador Alcolumbre entra na mira em esquema ilegal de venda de Mounjaro

Polícia apura tráfico de medicamentos em rede que abasteceria...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade