Investigação sobre o Banco Master coloca o senador Ciro Nogueira no centro de suspeitas de lobby, propina e favorecimento legislativo; senador é apontado nos bastidores como possível vice de Flávio Bolsonaro em 2026
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A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, atingiu diretamente um dos principais articuladores do bolsonarismo no Congresso e provocou forte impacto nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O alvo central da ofensiva é o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e atualmente cotado nos bastidores de Brasília para compor como vice a chapa presidencial de Flávio em 2026.
O avanço das investigações sobre a relação entre Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, provocou uma verdadeira “hecatombe” política dentro do núcleo bolsonarista, justamente no momento em que aliados tentavam consolidar uma frente entre PL e Centrão para a disputa presidencial.
Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro comemorou a tramitação da chamada “Emenda Master” dizendo que o texto “saiu exatamente como mandei”. A proposta, apresentada por Ciro Nogueira, ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, segundo investigadores, beneficiaria diretamente interesses do Banco Master.
O elo político da bomba Master
A explosão do caso ocorre após uma série de articulações políticas conduzidas por Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar a instalação de uma CPMI sobre o Banco Master no Congresso. Nos bastidores, o movimento era tratado como estratégico para evitar que o escândalo contaminasse o calendário eleitoral de 2026.
O cálculo político, porém, foi desmontado pela decisão do ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF, que autorizou medidas cautelares, buscas e bloqueios de bens contra envolvidos na investigação.
Na decisão, Mendonça afirma que os elementos reunidos pela PF apontam para um “arranjo funcional” entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro para obtenção de vantagens mútuas.
A PF sustenta que propostas legislativas teriam sido produzidas dentro do Banco Master e entregues diretamente ao senador, além de apontar pagamentos mensais que chegariam a R$ 500 mil, viagens internacionais, hospedagens de luxo e operações financeiras consideradas suspeitas.
Pré-campanha sob pressão
A entrada de Ciro Nogueira no radar da PF produz desgaste especialmente sensível porque o senador vinha sendo tratado como peça-chave para ampliar a aliança de Flávio Bolsonaro com setores do Centrão e do empresariado financeiro.
Além de interlocutor histórico entre o bolsonarismo e grandes grupos econômicos de Brasília e São Paulo, Ciro é visto dentro do PL como figura capaz de garantir tempo de televisão, apoio parlamentar e sustentação política a uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O escândalo, no entanto, ameaça transformar a aliança em passivo eleitoral. Integrantes da oposição já articulam associar a imagem da pré-campanha bolsonarista às suspeitas envolvendo lobby financeiro, influência legislativa e relações entre banqueiros e parlamentares.
Até agora, Flávio Bolsonaro evitou comentar diretamente a operação contra Ciro Nogueira. Durante a ação da PF, o senador do PL concentrou suas publicações nas redes sociais em pautas de segurança pública e redução da maioridade penal.
Defesa
A defesa de Ciro Nogueira afirma que o senador não cometeu irregularidades e sustenta que sua relação com Daniel Vorcaro era apenas pessoal e institucional. (infomoney.com.br)
A investigação segue sob relatoria de André Mendonça no STF e apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de influência.




