Global Times afirma que presidente brasileiro resistiu à pressão dos EUA para afastar China das cadeias de minerais críticos e reforçou abertura do Brasil a investimentos internacionais

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O jornal estatal chinês Global Times repercutiu a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania brasileira sobre reservas de terras raras e minerais críticos após a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na Casa Branca.
Segundo a publicação chinesa, Lula rejeitou pressões de Washington para alinhar o Brasil à estratégia norte-americana de redução da influência da China nas cadeias globais de minerais estratégicos. O Global Times afirmou que o presidente brasileiro deixou claro que o país pretende manter autonomia nas negociações internacionais envolvendo recursos minerais considerados essenciais para tecnologia, defesa militar, inteligência artificial e transição energética.
De acordo com a reportagem, baseada em informações de veículos internacionais como South China Morning Post, BBC, Bloomberg e Reuters, Lula afirmou a Trump que o Brasil está disposto a negociar com qualquer país interessado em investir no setor mineral brasileiro, desde que o processamento industrial ocorra em território nacional.
Disputa global por terras raras
As chamadas terras raras se tornaram um dos principais centros da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. Esses minerais são utilizados na fabricação de baterias, semicondutores, carros elétricos, equipamentos militares, turbinas e tecnologias de alta precisão.
A China domina atualmente grande parte da cadeia global de processamento desses minerais, enquanto os Estados Unidos buscam ampliar fornecedores alternativos e reduzir dependência estratégica de Pequim.
O Brasil possui algumas das maiores reservas de minerais críticos do planeta, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Amazonas, tornando-se peça relevante na disputa internacional por recursos naturais estratégicos.
Lula reforça soberania nacional
Durante coletiva após a reunião em Washington, Lula afirmou que o tema das terras raras será tratado como questão de soberania nacional. O presidente também informou que o governo federal prepara a criação de um conselho específico para coordenar políticas sobre minerais críticos.
“Estamos dispostos a dialogar com qualquer país que queira investir na nossa mineração”, declarou Lula, ressaltando que o Brasil não pretende abrir mão do controle sobre seus recursos naturais.
A fala foi interpretada pela imprensa chinesa como sinalização de que o governo brasileiro pretende manter equilíbrio diplomático entre Washington e Pequim, evitando aderir automaticamente às estratégias norte-americanas de contenção econômica da China.
Pressões internacionais e interesses econômicos
A disputa internacional pelas terras raras também intensifica pressões econômicas sobre países detentores de grandes reservas minerais. Especialistas apontam que o avanço do interesse estrangeiro sobre o setor brasileiro ocorre em meio ao crescimento da demanda global por tecnologias ligadas à energia limpa e à indústria militar.
Nos bastidores diplomáticos, integrantes do governo brasileiro avaliam que a exploração de minerais críticos pode se tornar um dos temas centrais da política externa e econômica do país nos próximos anos, especialmente diante do interesse simultâneo de chineses, norte-americanos e europeus no mercado brasileiro.




