
Entidade presidida por Rodrigo Cassol Lima também recebeu R$ 860 mil em emendas de parlamentares do PL para produção audiovisual sobre regimes comunistas
O diretório nacional do Partido Liberal (PL) destinou R$ 600 mil do fundo partidário à ONG Passos da Liberdade entre janeiro e abril deste ano. A entidade, presidida pelo pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Cassol Lima (PL-RS), também recebeu R$ 860 mil em emendas parlamentares dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Mário Frias (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS) para a produção do documentário “Nós”, que aborda regimes comunistas no período pós-Segunda Guerra Mundial. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
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De acordo com a publicação, os repasses do fundo partidário ocorreram em quatro parcelas mensais de R$ 150 mil. A nota fiscal apresentada pelo partido descreve a contratação como prestação de serviços de assessoria em comunicação e produção audiovisual no estado de Minas Gerais. O documento chamou a atenção porque a ONG está sediada em Porto Alegre e seu presidente é pré-candidato às eleições no Rio Grande do Sul.
Ainda segundo a reportagem, Rodrigo Cassol Lima atua como presidente da entidade, coprodutor e responsável jurídico do documentário, circunstância que levanta questionamentos sobre a relação entre os recursos públicos recebidos e a produção audiovisual.
O documentário “Nós”, anteriormente intitulado “Genocidas”, retrata regimes comunistas na Europa após a Segunda Guerra Mundial e teve gravações realizadas na Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria. A estreia está prevista para 15 de julho, em Brasília, com a presença de lideranças políticas da direita.
A direção do filme é assinada por Gustavo Lopes, que ocupou cargos na área de comunicação durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo funções no Ministério do Trabalho, na Casa Civil e na Secretaria Nacional do Audiovisual. O roteiro também conta com a participação de Doriel Francisco, responsável por outras produções audiovisuais ligadas ao ex-presidente.
Recursos públicos e questionamentos
Em nota enviada à Folha de S.Paulo, a ONG Passos da Liberdade confirmou a existência do contrato firmado com o PL para prestação de serviços de comunicação institucional e produção audiovisual. A entidade afirmou que a contratação “não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de qualquer dirigente” e informou que Rodrigo Cassol Lima não recebe remuneração pelo cargo que ocupa na associação.
A organização também declarou que não possui relação com projetos do Ministério da Cultura nem com outras produções audiovisuais citadas na reportagem. Sobre os serviços contratados pelo partido, informou que não poderia detalhar o conteúdo em razão de uma cláusula de confidencialidade.
Até o momento, não há informação sobre investigação ou decisão judicial relacionada aos repasses. O caso tem gerado questionamentos sobre a utilização de recursos públicos provenientes do fundo partidário e de emendas parlamentares na produção de conteúdo audiovisual de caráter político e ideológico.


