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sábado, dezembro 6, 2025
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Santa Catarina vira palco de guerra interna no bolsonarismo por vaga ao Senado em 2026

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Anúncio de candidatura de Carlos Bolsonaro provoca racha entre aliados de Jair Bolsonaro e expõe disputa por poder no PL catarinense


Por Sandra Venancio

Terceiro estado que mais deu votos a Jair Bolsonaro (PL) em 2022, Santa Catarina tornou-se o novo epicentro de uma crise dentro do grupo político do ex-presidente. A disputa, que envolve lideranças bolsonaristas locais e nacionais, gira em torno da escolha de um candidato ao Senado em 2026 e revela o esforço do clã Bolsonaro em garantir blindagem política diante do cerco judicial.

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Segundo a Folha de S.Paulo, o impasse envolve a deputada estadual Ana Campagnolo (PL), a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), o governador Jorginho Mello (PL) e o senador Espiridião Amin (PP-SC). O conflito escancarou divergências estratégicas e acusações de infidelidade, além de uma disputa pelo comando do bolsonarismo catarinense.

As tensões começaram em junho, quando Jair Bolsonaro anunciou que Carlos Bolsonaro seria lançado ao Senado por Santa Catarina. Foto Renan Olaz/CMRJ

O início do racha

As tensões começaram em junho, quando Jair Bolsonaro anunciou que Carlos Bolsonaro seria lançado ao Senado por Santa Catarina. O estado, um dos redutos mais fiéis ao ex-presidente, foi escolhido como terreno “seguro” para garantir a eleição do filho e, ao mesmo tempo, protegê-lo de possíveis avanços do Judiciário.

A decisão atropelou articulações locais. Caroline de Toni e Espiridião Amin já se movimentavam como pré-candidatos à vaga, e a entrada de Carlos foi interpretada como uma imposição do clã Bolsonaro, que prioriza interesses familiares em detrimento do grupo político.

Caroline rifada e o conflito com o governador

O governador Jorginho Mello, que buscará a reeleição em 2026, tenta costurar uma aliança com o PP para enfraquecer o PSD do prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Dentro dessa estratégia, ele informou à deputada Caroline de Toni que ela precisaria deixar o PL caso mantivesse a pré-candidatura ao Senado. A parlamentar acabou rifada da disputa — decisão que aliados atribuíram diretamente à chegada de Carlos Bolsonaro.

https://twitter.com/NP__Oficial/status/1986751751954006325

Grávida e afastada das atividades públicas, Caroline não se pronunciou. Em seu lugar, a deputada estadual Ana Campagnolo passou a defender a colega e criticou o governador. “Falei com Caroline e com o governador Jorginho há pouco. Ambos confirmaram que ela será obrigada a sair do PL. Com a chegada [de Carlos], ela perdeu a vaga no partido”, escreveu Campagnolo nas redes sociais.

Reação do clã Bolsonaro

As declarações provocaram irritação no núcleo familiar de Jair Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) respondeu publicamente, acusando Campagnolo de infidelidade e deslealdade política. “Não dá para pedir nosso apoio e, em contrapartida, negar apoio e subordinação. Não dá para querer o benefício da liderança e recusar o ônus que vem com ela”, afirmou.

https://twitter.com/jornalrazao/status/1984244854038147083

Campagnolo rebateu com ironia, lembrando que o próprio Eduardo já discordou do pai em outras ocasiões. “Você contrariou seu pai quando foi ventilada a hipótese de ele lançar o Tarcísio à Presidência. E talvez ele lance. Como vai ser? Por que você pode manifestar sua contrariedade e os outros aliados não?”, escreveu.

Estratégia e isolamento

Nos bastidores, aliados admitem que a candidatura de Carlos Bolsonaro por Santa Catarina faz parte de uma estratégia para preservar o clã em cargos eletivos e, assim, manter foro privilegiado em meio às investigações conduzidas pelo STF. A escolha do estado reflete a força do bolsonarismo local, mas também amplia o risco de fragmentação interna do PL.

https://twitter.com/CentralDireitaB/status/1981493144051933587

Com a base rachada, o partido enfrenta o desafio de unir novamente suas lideranças em torno de uma pauta comum, enquanto a família Bolsonaro tenta garantir sobrevida política num cenário de desgaste e disputas internas cada vez mais expostas.

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