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terça-feira, janeiro 27, 2026
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Polícias das capitais brasileiras mataram quase 2 mil pessoas em 2024, aponta Anuário

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Relatório revela aumento de 0,9% nas mortes causadas por policiais militares e civis nas 27 capitais; são cinco mortos por dia

Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

Houve um leve aumento de 0,9% em relação a 2023, quando 1.897 pessoas foram mortas em ações policiais nas mesmas capitais. Apesar da estabilidade relativa, os dados reforçam a permanência de um padrão letal nas práticas policiais, especialmente nas periferias urbanas e contra populações negras e jovens.

Policiais civis e militares das 27 capitais brasileiras mataram 1.914 pessoas em 2024, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa uma média de cinco mortes por dia nas regiões metropolitanas do país.

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De acordo com o relatório, a maior parte das mortes causadas por agentes de segurança ocorreu em situações classificadas oficialmente como “confronto”. No entanto, organizações de direitos humanos denunciam que muitos desses casos envolvem execuções extrajudiciais, abusos de força e falta de responsabilização dos envolvidos.

O Fórum alerta para o impacto social e psicológico da violência policial sistemática, e aponta que as capitais concentram uma parte significativa do total de mortes por intervenção policial registradas no país. O anuário completo mostra que, em todo o território nacional, 6.401 pessoas morreram em ações policiais em 2024.

“O dado revela que seguimos enfrentando uma política de segurança baseada no confronto e na militarização das periferias, com resultados trágicos e persistentes para comunidades vulnerabilizadas”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum.

Além da letalidade, o Anuário também levanta preocupações com a baixa taxa de investigação e punição dos policiais envolvidos nesses episódios. Em muitos estados, faltam transparência, controle externo efetivo e protocolos padronizados de uso da força.

O relatório também relaciona o aumento da letalidade policial a:

  • Políticas estaduais de segurança com viés repressivo;
  • Ausência de treinamento adequado sobre direitos humanos;
  • Incentivo político à violência institucionalizada.

Diante dos números, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública defende a adoção de políticas públicas que priorizem o uso proporcional da força, a transparência nos dados, o fortalecimento das corregedorias e o controle externo das polícias pelo Ministério Público.

“É urgente repensar o modelo de policiamento no Brasil. A segurança pública deve proteger vidas, não eliminá-las”, conclui o relatório.

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