Contratos de R$ 2,8 bilhões para navios e embarcações prometem milhares de empregos e reforço na logística de combustíveis
A assinatura de contratos para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças marcou, nesta terça-feira, um novo ciclo de investimentos na indústria naval brasileira. A cerimônia ocorreu em Rio Grande, no extremo sul do país, e reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, além de ministros, parlamentares e representantes do setor. O pacote de encomendas soma R$ 2,8 bilhões e tem potencial de gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo dos próximos anos.
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As embarcações foram encomendadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pela logística de transporte de petróleo e derivados, e serão construídas em estaleiros localizados no Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina. A maior fatia do investimento ficará no estaleiro Rio Grande Ecovix, que construirá os cinco gaseiros ao custo de R$ 2,2 bilhões. Projetados para o transporte de gases liquefeitos, como o GLP, os navios terão a primeira entrega prevista para 33 meses, com cronograma semestral para as unidades seguintes.

No Norte do país, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, será responsável pela produção das 18 barcaças, com investimento de R$ 295 milhões. As embarcações reforçarão o transporte de grandes volumes de carga no sistema hidroviário operado pela Transpetro. Já em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, construirá os 18 empurradores, essenciais para a movimentação das barcaças, em um contrato estimado em R$ 325 milhões.
Com a conclusão das obras, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 embarcações, o que representa um salto significativo na capacidade de transporte de GLP e derivados. A estratégia busca reduzir a dependência do afretamento de navios estrangeiros e ampliar o controle logístico da estatal. Os novos gaseiros foram projetados para maior eficiência energética, com redução relevante nas emissões de gases de efeito estufa e possibilidade de operação em portos eletrificados, o que reforça o discurso de modernização tecnológica da frota.
As contratações fazem parte do Programa Mar Aberto, política federal voltada à reativação da indústria naval, que prevê até R$ 32 bilhões em investimentos no setor até 2030. O plano inclui a construção de navios de cabotagem, barcaças e empurradores, além do afretamento de embarcações de apoio às atividades de exploração e produção de petróleo. A política combina exigências de conteúdo local, uso de recursos do Fundo da Marinha Mercante e incentivos fiscais para viabilizar os projetos.
No estaleiro de Rio Grande, a expectativa é de uma forte expansão do quadro de trabalhadores. A empresa estima sair do patamar atual de cerca de 400 colaboradores para até 4 mil no segundo semestre de 2027, com recrutamento intensivo já a partir deste ano. A demanda por mão de obra especializada levou à ampliação de programas de qualificação profissional, incluindo a abertura de uma nova unidade do Senai voltada especificamente à formação para a indústria naval.
O governo federal aposta que a retomada dos estaleiros terá efeito multiplicador sobre a economia regional e ajudará a recuperar níveis de emprego próximos aos registrados no auge do setor. Após anos de retração, a indústria naval voltou a crescer, impulsionada por encomendas públicas e pela estratégia de reduzir a dependência externa em áreas consideradas estratégicas.
Investimentos e impacto — R$ 2,8 bilhões em contratos; cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças; frota de gaseiros da Transpetro passa de seis para 14; previsão de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos; Programa Mar Aberto projeta R$ 32 bilhões até 2030.




