Com Celso Vilardi à frente da defesa de Zettel e “Juca” ao lado de Vorcaro, caso reúne advogados ligados ao núcleo político investigado e amplia disputa de narrativas na delação

O advogado Celso Vilardi assumiu a defesa do pastor Fabiano Zettel no caso envolvendo o Banco Master e deve negociar um acordo de delação premiada alinhado à estratégia do banqueiro Daniel Vorcaro. A movimentação ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
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Zettel, que está preso em unidade no interior paulista, passou a ser defendido apenas por Vilardi após a saída de outros advogados que alegaram “foro íntimo”. Ele é apontado como peça-chave nas investigações por sua relação familiar com Vorcaro e por conexões políticas e financeiras que orbitam o caso.
Nos bastidores, fontes indicam que a estratégia da defesa é antecipar uma delação para influenciar o rumo das investigações, prática comum em casos de grande repercussão. Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, e foi um dos maiores doadores individuais da campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
Disputa de narrativas e pressão em Brasília
A possível delação ocorre em um ambiente de forte tensão política e jurídica em Brasília. Investigadores apuram se há articulação coordenada entre envolvidos para construir versões convergentes que possam reduzir penas ou direcionar o foco das apurações.
O caso ganhou complexidade após a transferência de Vorcaro para dependências da Polícia Federal em Brasília por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A medida é interpretada como parte de uma estratégia para facilitar negociações de colaboração com autoridades.
Relatos obtidos pela reportagem indicam que Zettel teria sido orientado por familiares a antecipar sua delação, sob o argumento de que o primeiro acordo firmado tende a influenciar o conjunto das investigações.
A entrada de Vilardi reforça o peso político do caso. O advogado já atuou em investigações de grande impacto e chegou a declarar publicamente que havia “indícios claros” de tentativa de golpe envolvendo Bolsonaro, posição que posteriormente revisou ao integrar a defesa do ex-presidente.
A convergência entre interesses jurídicos, financeiros e políticos coloca o caso Master no centro de uma disputa por narrativa, com potencial de atingir figuras públicas, agentes do sistema financeiro e estruturas de poder em Brasília.




