Operação Ar Frio apura possível direcionamento de contratos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro; um dos investigados tinha cerca de R$ 100 mil em espécie em casa
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Ar Frio para cumprir mandados de busca e apreensão contra dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo suspeitos de integrar um esquema de fraude em processos licitatórios. Os investigados foram exonerados em março deste ano e são apontados como responsáveis por favorecer empresas em contratações públicas mediante suposto recebimento de vantagens indevidas.
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As investigações concentram-se em uma licitação estimada em cerca de R$ 1 bilhão destinada à aquisição de aparelhos de ar-condicionado para a administração municipal. Segundo o Ministério Público, há indícios de que os processos teriam sido direcionados para grupos empresariais previamente escolhidos, comprometendo a competitividade da concorrência pública.
De acordo com o Gaeco, um dos investigados atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, enquanto o outro exercia a função de coordenador de licitações na Secretaria Municipal das Subprefeituras. As suspeitas abrangem fatos que teriam ocorrido entre 2022 e 2025.
Os mandados foram cumpridos em imóveis localizados na capital paulista e na Região Metropolitana. Durante a operação, celulares, documentos e outros materiais considerados relevantes para as investigações foram apreendidos. Em um dos endereços, os promotores localizaram aproximadamente R$ 100 mil em dinheiro vivo.
Outro foco da investigação é a evolução patrimonial dos ex-servidores. Segundo o Ministério Público, os bens identificados até o momento seriam incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos investigados. Há suspeitas de que imóveis, veículos e outros patrimônios tenham sido registrados em nome de terceiros para ocultar sua verdadeira titularidade.
Com base nos elementos reunidos até esta fase da apuração, o Ministério Público investiga possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. A existência desses indícios, contudo, ainda será submetida ao devido processo legal, garantindo aos investigados o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A licitação investigada chegou a ser suspensa durante as apurações preliminares e foi retomada após a exoneração dos servidores envolvidos.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que, ao tomar conhecimento das suspeitas, solicitou preventivamente a exoneração de seis servidores e comunicou os fatos ao Ministério Público para investigação. A administração municipal afirmou que não é alvo da operação e reiterou que mantém compromisso com a ética, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos, acrescentando que continuará colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.




