Bastidores da derrota do advogado-geral da União revelam influência de ministros do STF

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A derrota do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma crise política dentro do governo Lula e provocou uma guerra silenciosa nos bastidores entre integrantes do PT, ministros do Supremo e a cúpula do Senado. Nos dias seguintes à rejeição, começaram a circular versões divergentes sobre os responsáveis pelo fracasso da indicação e possíveis acordos políticos que teriam influenciado o placar de 42 votos contra 34.
Inicialmente, parte de setores ligados ao governo e ao PT direcionou críticas ao senador Jaques Wagner [PT-BA], apontando suposta falha de articulação política. Porém, interlocutores históricos do partido passaram a defender uma leitura diferente dos acontecimentos. Segundo essa avaliação, Wagner teria apenas adotado uma postura considerada “republicana” e típica de lideranças acostumadas às negociações parlamentares.
Nos bastidores, a versão que ganha força entre aliados do governo aponta que a rejeição teria sido resultado de uma articulação conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em alinhamento com o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatos de integrantes do campo governista, o suposto acordo teria relação indireta com movimentações envolvendo investigações ligadas ao Banco Máster. A hipótese circula em setores políticos de Brasília, embora até o momento não exista confirmação oficial nem manifestação pública dos citados sobre eventual interferência na votação.
A leitura de parte do PT é que o episódio ultrapassou uma simples derrota parlamentar e revelou um redesenho das forças de poder entre Executivo, Senado e STF. Interlocutores afirmam que, dias antes da votação, parlamentares já davam como certo o resultado negativo e teriam alertado Jorge Messias sobre a necessidade de retirar sua candidatura antes da sessão.
Segundo essas versões, o próprio Messias teria sido avisado previamente de que o placar contrário estava consolidado, mas decidiu manter a disputa até o fim.
Outro elemento que ampliou a tensão foi a suposta insatisfação do ministro Gilmar Mendes, que, segundo relatos de bastidores, não teria participado da articulação contra Messias. Já o ministro Flávio Dino teria atuado apenas de forma periférica, especialmente em questões relacionadas à política maranhense.
Nos corredores do Congresso, aliados do governo passaram a defender cautela para evitar agravamento da crise institucional. Deputados, ministros e ex-ministros do PT avaliam que uma reação pública mais dura contra Alcolumbre ou ministros do Supremo poderia ampliar o isolamento político do Planalto em futuras votações estratégicas.
Também circula entre interlocutores do governo a informação de que Alcolumbre teria sinalizado ao Planalto que o nome de Jorge Messias poderia ser aprovado futuramente em caso de reeleição de Lula, mas que o cenário político atual inviabilizaria a indicação neste momento.
A crise reacende discussões antigas dentro do PT sobre a relação entre o partido e setores do Judiciário. Parte da base governista passou a questionar até que ponto ministros do STF próximos ao governo realmente atuam em alinhamento com interesses do Planalto em votações estratégicas.
O episódio também reforça a percepção, entre parlamentares governistas, de que o Senado ampliou significativamente seu poder de veto sobre indicações presidenciais ao Supremo, transformando a composição da Corte em instrumento central de negociação política em Brasília.




