Governo avalia usar investigação sobre o Banco Master para pressionar Congresso e associar escândalo financeiro ao bolsonarismo

Pozzebom/Agencia Brasil
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Dirigentes do PT passaram a pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT] para declarar apoio público à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. A avaliação dentro do partido é que a ofensiva poderia aumentar a pressão sobre o comando do Congresso Nacional e ampliar o desgaste político de setores ligados ao bolsonarismo.
Nos bastidores do Planalto, aliados defendem que Lula utilize as redes sociais para se posicionar favoravelmente à apuração. A estratégia inclui reforçar a associação política entre o caso financeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro [PL], linha já explorada em peças de propaganda partidária que passaram a usar o termo “BolsoMaster”.
A movimentação ocorre em meio ao agravamento da crise política entre o governo federal e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado por integrantes do PT como um dos principais obstáculos tanto para a instalação da CPI quanto para a aprovação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo interlocutores do governo, um dos fatores que teria pesado contra Jorge Messias foi sua proximidade com o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso Banco Master no STF.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o escândalo possui conexões políticas amplas, envolvendo personagens de diferentes espectros ideológicos — direita, centro e esquerda. Apesar disso, o caso já começou a ser incorporado ao discurso eleitoral tanto por aliados de Lula quanto por setores ligados ao senador Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares afirmam que Alcolumbre articula para impedir o avanço da CPI. O requerimento apresentado por parlamentares bolsonaristas para investigar o caso e supostas relações com ministros do STF ainda depende de leitura em sessão conjunta do Congresso para ser oficialmente instalado.
Segundo congressistas, o presidente do Senado teria costurado um acordo político com setores da oposição para conter a pressão sobre o caso Master. Em troca, avançou com pautas de interesse do bolsonarismo, incluindo a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria relacionado aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Durante a sessão que rejeitou o veto do governo, parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro elogiaram publicamente Alcolumbre. Nos corredores do Congresso, a leitura predominante é que houve uma convergência momentânea entre Centrão, oposição e setores do Senado para evitar que a CPI do Banco Master ganhasse força.
Como reação, partidos de esquerda protocolaram novo pedido de CPI Mista, liderado pelas deputadas Heloisa Helena [Rede-AL] e Fernanda Melchionna [PSOL-RS]. O requerimento reuniu assinaturas de 181 deputados e 35 senadores, número suficiente para criação da comissão caso seja lido em plenário.
A crise expõe novamente a fragilidade da base governista no Congresso e a crescente dependência do Planalto das negociações com o Centrão para avançar em pautas estratégicas. Dentro do PT, parte da avaliação é que a disputa em torno da CPI do Banco Master deixou de ser apenas jurídica ou financeira e passou a representar um embate direto pelo controle político das narrativas sobre corrupção e poder institucional em Brasília.
Apesar da pressão interna, integrantes do governo ainda defendem cautela para evitar ruptura definitiva com Alcolumbre. A orientação atual no Palácio do Planalto é manter canais de diálogo abertos enquanto se avaliam os próximos movimentos do Senado e da oposição.




