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terça-feira, maio 19, 2026
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Investigadores exigem devolução de R$ 60 bilhões a curto prazo para aceitar delação de Daniel Vorcaro

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Polícia Federal, PGR e STF rejeitam proposta de parcelamento em 10 anos apresentada pela defesa do ex-banqueiro; liquidação do Banco Master e fragilidade dos novos anexos travam negociações

Diante disso, investigadores exigem a indicação precisa de patrimônio oculto, incluindo contas em paraísos fiscais, fundos de investimento, imóveis de luxo, aeronaves e obras de arte de alto valor para demonstrar efetiva boa-fé. Foto Marcelo Casal JR/Agencia Brasil

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BRASÍLIA – Os investigadores responsáveis por apurar as fraudes financeiras no Banco Master elevaram a pressão sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As autoridades integradas da Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) exigem que o réu devolva cerca de R$ 60 bilhões em um curto espaço de tempo. A imposição surge como condição inegociável para evitar o descarte sumário de sua proposta de colaboração premiada.

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A defesa de Vorcaro havia formalizado uma oferta para ressarcir aproximadamente R$ 40 bilhões de forma parcelada ao longo de uma década. No entanto, o desenho desencontrado de prazos e valores gerou forte repulsa no Judiciário. O ministro do STF, André Mendonça, indicou explicitamente a interlocutores jurídicos que prefere receber uma quantia inferior ao teto total, desde que o montante seja liquidado de maneira imediata ou em curtíssimo prazo, sepultando o plano de dez anos sugerido pelo operador.

Falta de Lastro e Rombo Bilionário no FGC

A urgência por garantias líquidas acentuou-se após o Banco Central decretar a liquidação definitiva do Banco Master. Diferente de acordos corporativos firmados em operações passadas, onde empresas em recuperação judicial mantinham atividades econômicas e fluxo de caixa contínuo, Vorcaro hoje lidera uma estrutura falida. Diante disso, investigadores exigem a indicação precisa de patrimônio oculto, incluindo contas em paraísos fiscais, fundos de investimento, imóveis de luxo, aeronaves e obras de arte de alto valor para demonstrar efetiva boa-fé.

O tamanho do prejuízo sob investigação confere contornos dramáticos às negociações. Auditorias apontam que os custos diretos da quebra do banco já superam a marca de R$ 57 bilhões. Desse montante, estima-se que R$ 51,8 bilhões precisem ser integralmente honrados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir os correntistas lesados, convertendo o caso em um dos maiores colapsos financeiros recentes do país.

Fragilidade de Anexos e Concorrência por Acordos

Além do impasse econômico, o conteúdo técnico trazido nos anexos entregues no último dia 6 de maio decepcionou a força-tarefa da Operação Compliance Zero. A avaliação interna na PGR é que os relatos fornecidos por Vorcaro são superficiais e não trazem novidades substanciais além daquilo que a Polícia Federal já obteve por meio de inteligência autônoma e apreensões eletrônicas. O órgão busca evitar o desgaste verificado em acordos passados — como o do tenente-coronel Mauro Cid —, priorizando apurações independentes que demonstrem robustez factual e jurídica sem depender exclusivamente da palavra de réus confessos.

O isolamento de Daniel Vorcaro na Superintendência da PF em Brasília ganha contornos de urgência com a movimentação de outros alvos da operação. Seu cunhado, Fabiano Zettel, que também cumpre prisão preventiva, destituiu seus antigos defensores e iniciou tratativas paralelas para confessar crimes e delatar o esquema de gestão temerária. Com a Polícia Federal avançando rapidamente em novas fases ostensivas, o espaço para que o ex-banqueiro consiga fechar um acordo e mitigar sua pena final reduz-se drasticamente.

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