Investigação apura suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de rede de postos de combustíveis que movimentou R$ 7,6 bilhões, segundo relatório do Coaf
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de uma organização suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro e outros crimes no Estado do Rio de Janeiro. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), e o delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. As diligências ocorrem na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
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A ofensiva da PF foi autorizada após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras estimadas em R$ 7,6 bilhões realizadas pelo grupo investigado nos últimos seis anos. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, sem prejuízo de outras infrações que possam ser identificadas durante o andamento das investigações. A operação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 635, que atribuiu à PF a apuração de possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Outro alvo da operação é o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado em investigações anteriores e citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2008, como liderança de um grupo paramilitar que atuava na Baixada Fluminense. Ele foi condenado posteriormente por homicídio e associação criminosa.
Ao todo, os agentes federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão. Até a publicação desta reportagem, a Polícia Federal não havia divulgado informações sobre prisões decorrentes da nova fase da operação.
As investigações também avançam sobre a atuação do empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de postos de combustíveis que já havia sido alvo da quinta etapa da Operação Unha e Carne. Segundo a apuração, empresas ligadas ao empresário forneceram combustível durante a campanha eleitoral de 2022 do então candidato ao governo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e posteriormente firmaram contratos com a administração estadual.
A sexta fase amplia uma investigação iniciada em dezembro de 2025 para apurar o vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o crime organizado. Desde então, as apurações passaram a atingir políticos, empresários, integrantes do Judiciário e agentes de segurança pública suspeitos de integrar uma rede de proteção institucional a organizações criminosas.
Entre os investigados nas etapas anteriores estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, atualmente preso após ter o mandato cassado, o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), o pastor Márcio Poncio e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
As investigações da Polícia Federal apontam que documentos, planilhas financeiras, registros telefônicos e relatórios de inteligência vêm sendo utilizados para mapear uma suposta estrutura responsável por favorecer organizações criminosas, ocultar recursos ilícitos e estabelecer conexões entre empresários, agentes públicos e representantes políticos.
Até o momento, os citados nesta reportagem são investigados e não há condenação definitiva relacionada aos fatos apurados nesta fase da Operação Unha e Carne. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos investigados.




