Empresas afirmam que sobretaxas elevarão custos para empresas e consumidores americanos e podem comprometer cadeias de abastecimento
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Grandes empresas dos Estados Unidos encaminharam manifestações formais ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pedindo que produtos importados do Brasil sejam excluídos da proposta de ampliação das tarifas comerciais contra o país. Os documentos, protocolados em 1º de julho, foram apresentados durante a consulta pública que antecede a decisão do governo norte-americano sobre a aplicação de novas barreiras comerciais.
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As empresas sustentam que a cobrança de tarifas adicionais poderá aumentar os custos da indústria americana, pressionar a inflação e afetar consumidores dos Estados Unidos. O debate ocorre enquanto o USTR analisa a possibilidade de ampliar as medidas adotadas contra produtos brasileiros no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, sob a alegação de que políticas do Brasil criariam obstáculos ao comércio com os EUA.
A mobilização empresarial acontece em um momento de aumento das tensões entre Brasília e Washington. Paralelamente às discussões comerciais, o governo brasileiro acompanha com preocupação medidas adotadas pela administração do presidente Donald Trump, entre elas a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais e sanções impostas pelo Departamento do Tesouro norte-americano contra brasileiros e empresas investigados por supostas ligações com essas facções.
Apesar desse cenário diplomático, as companhias afirmam que restringir as importações brasileiras produzirá efeitos negativos principalmente sobre a economia americana.
A Tesla solicitou a exclusão de matérias-primas e insumos industriais provenientes do Brasil utilizados na fabricação de veículos elétricos, baterias, sistemas de armazenamento de energia e robótica. A empresa argumenta que, embora esteja investindo na nacionalização da cadeia de suprimentos nas Américas, determinados materiais estratégicos ainda não possuem produção suficiente nos Estados Unidos para atender à demanda.
A Nestlé pediu a ampliação da lista de produtos isentos, incluindo café solúvel sem aromatização e colágeno bovino. Segundo a empresa, os Estados Unidos não possuem condições climáticas para produzir café em escala comercial e o Brasil ocupa posição estratégica como fornecedor mundial de colágeno utilizado pela indústria de alimentos, suplementos e produtos voltados à saúde. A multinacional também destaca que praticamente toda sua cadeia de fornecimento de commodities agrícolas já passou por processos de verificação relacionados ao combate ao desmatamento.
A Coca-Cola defendeu a manutenção da isenção para o suco de laranja brasileiro e solicitou que o limão e seus derivados também sejam poupados das novas tarifas ou recebam um período de transição. A companhia argumenta que a produção de citros na Flórida sofreu forte redução nas últimas décadas em razão de doenças e eventos climáticos extremos, tornando o Brasil um fornecedor essencial para abastecer o mercado americano.
Já a plataforma de comércio eletrônico eBay propôs a criação de uma exceção específica para produtos usados e seminovos. A empresa sustenta que mercadorias de segunda mão não estimulam a produção industrial brasileira e que a cobrança de tarifas apenas elevaria os custos para pequenos comerciantes e consumidores de menor renda. A companhia também afirma que identificar a origem de produtos usados seria operacionalmente complexo, aumentando a burocracia nas operações de importação.
As audiências públicas sobre a proposta tarifária começaram nesta segunda-feira (6). Após analisar as contribuições apresentadas por empresas, entidades e representantes do setor produtivo, o USTR deverá elaborar um parecer que servirá de base para a decisão final do governo norte-americano sobre a aplicação das novas tarifas aos produtos brasileiros.




