Brasil aguarda proposta dos EUA para negociar tarifaço de Trump

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O governo brasileiro contesta a justificativa e a base legal das tarifas impostas por Washington e levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC). Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

Documento deverá indicar os setores em que Washington pretende obter redução de tarifas no mercado brasileiro. Governo Lula prepara contraproposta e busca condições comerciais consideradas equilibradas

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera receber até o início da próxima semana uma proposta dos Estados Unidos para avançar nas negociações sobre as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros. O documento deverá apresentar os setores nos quais Washington pretende obter condições mais favoráveis de acesso ao mercado nacional. Depois de analisar as exigências, o Brasil apresentará uma contraproposta com suas próprias reivindicações.

A informação foi confirmada na terça-feira (3) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Segundo ele, os dois governos mantiveram conversas informais desde a reunião presencial de 30 de setembro, realizada em Milwaukee, nos Estados Unidos, quando representantes americanos se comprometeram a encaminhar um documento com os termos iniciais de uma possível negociação comercial.

“Eles devem nos encaminhar a proposta de um acordo dizendo quais são os setores que eles gostariam de ter oferta de redução, por exemplo, de tarifa, e nós responderemos na sequência”, afirmou o ministro. <Cite refs={[“turn788781search0″,”turn788781search4”]}/>

Negociação ainda sem definição

O governo brasileiro ainda não conhece quais setores os Estados Unidos pretendem incluir na proposta. Essa informação será determinante para a elaboração da resposta brasileira e para definir o alcance de um eventual acordo.

Na reunião de setembro, os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir questões tarifárias e não tarifárias. O Itamaraty informou que a negociação deverá buscar um entendimento mutuamente satisfatório, com atenção aos interesses comerciais das duas economias. <Cite refs={[“turn788781search3″,”turn788781search2”]}/>

Um dos pontos de divergência nas conversas anteriores foi a possibilidade de um entendimento nos moldes do acordo comercial firmado entre Estados Unidos e Argentina. Segundo relatos publicados sobre as negociações, a proposta de abertura de mercado sem concessões equivalentes ao Brasil foi considerada insuficiente por integrantes do governo brasileiro.

A posição de Brasília é negociar condições que também ampliem oportunidades para os produtos nacionais no mercado americano, em vez de apenas facilitar a entrada de mercadorias dos Estados Unidos.

Tarifas atingem exportações brasileiras

Enquanto as negociações avançam, continuam em vigor as sobretaxas aplicadas pelo governo Trump. As medidas incluem uma tarifa de 25%, justificada pela administração americana com alegações de práticas comerciais desleais, e outra de 12,5%, associada a acusações sobre falhas no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) citado nas informações sobre a negociação, as medidas atingem simultaneamente 3.985 produtos brasileiros, que representam aproximadamente US$ 10,8 bilhões em exportações para os Estados Unidos, valor equivalente a cerca de R$ 55 bilhões.

O impacto preocupa setores da indústria e do comércio exterior, que dependem do mercado americano para vender produtos brasileiros. Dados divulgados sobre o comércio bilateral mostram que, entre janeiro e setembro de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando US$ 27,46 bilhões. <Cite refs={[“turn788781search0″,”turn788781news15”]}/>

Brasil mantém questionamento na OMC

O governo brasileiro contesta a justificativa e a base legal das tarifas impostas por Washington e levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC). A negociação bilateral ocorre paralelamente à discussão no organismo internacional.

O encontro de 30 de setembro deu início a uma nova etapa de diálogo e estabeleceu um prazo de 60 dias para a busca de entendimento, conforme o procedimento de solução de controvérsias mencionado nas informações sobre a reunião. Caso não haja acordo, o Brasil poderá solicitar a formação de um painel de especialistas para analisar a disputa. <Cite refs={[“turn788781search2″,”turn788781search4”]}/>

O próximo passo depende do envio do documento americano. Só depois de conhecer os setores e as condições pretendidas por Washington o governo brasileiro poderá definir os termos da contraproposta. Até o momento, o ministro Márcio Elias Rosa afirma que não houve antecipação do conteúdo da proposta.

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