Rafael Fonteles defende equilíbrio fiscal sem cortes no bolsa família e outros programas sociais de Lula

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Entre as iniciativas mencionadas estão o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e o Prospera MEI. Foto Ricardo Stuckert/PR

Governador do Piauí, cotado para o Ministério da Fazenda em 2027, propõe combater privilégios e desperdícios e preservar investimentos públicos e compromissos de campanha

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O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que o próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busque o equilíbrio das contas públicas sem reduzir investimentos sociais. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o petista afirmou que a reorganização fiscal deve priorizar o combate a privilégios e desperdícios, preservando os programas sociais e as propostas apresentadas durante a campanha presidencial.

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Cotado por aliados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula, Fonteles rejeitou a ideia de que o equilíbrio das contas públicas dependa exclusivamente de cortes de despesas. “Eu não costumo nem usar a palavra ajuste. Eu uso a palavra equilíbrio fiscal, justamente para demonstrar que são múltiplas as possibilidades de buscar esse equilíbrio”, afirmou.

O governador também declarou que a política fiscal não deve comprometer os programas sociais. “Isso envolve corte de privilégios e de desperdício e não vai envolver, com o presidente Lula, qualquer prejuízo social, qualquer corte em programas sociais que ele já constituiu e com que se comprometeu novamente na campanha eleitoral”, disse.

Programas sociais e investimentos

Fonteles citou propostas apresentadas por Lula durante a campanha que, segundo ele, poderão ser executadas ao longo dos próximos quatro anos, respeitando as regras do arcabouço fiscal. Entre as iniciativas mencionadas estão o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e o Prospera MEI.

O governador argumentou que a sustentabilidade da dívida pública é necessária para criar condições de redução dos juros e estimular a atividade econômica. Também citou os resultados fiscais dos dois primeiros mandatos de Lula para defender a possibilidade de conciliar responsabilidade fiscal, investimentos e políticas de inclusão social.

Ao falar sobre sua experiência no Piauí, Fonteles afirmou que o estado registrou superávit até agosto e adotou um marco fiscal e orçamentário de médio prazo para organizar o planejamento das despesas e dos investimentos.

Ele também chamou atenção para a diferença entre despesas de investimento e receitas de operações de crédito. Segundo o governador, empréstimos destinados a financiar obras não são contabilizados como receitas primárias, enquanto os investimentos entram no cálculo das despesas. Por isso, defendeu que os indicadores fiscais sejam analisados considerando a natureza e a finalidade dos gastos.

Possível nome para a Fazenda

Apesar de aparecer entre os nomes cotados para comandar o Ministério da Fazenda, Fonteles negou ter conversado com Lula sobre uma eventual nomeação ou sobre mudanças na política econômica.

“Eu não conversei nada com o presidente sobre cargo e não falei sobre qualquer coisa relacionada à política econômica”, declarou.

O governador afirmou que sua prioridade é preparar o segundo mandato no Piauí. Reeleito com aproximadamente 70% dos votos válidos no primeiro turno de 2026, ele disse que pretende ampliar os resultados da primeira gestão.

“Estou preparado para tomar posse, ser diplomado. Vou tomar posse, vou querer fazer um governo muito melhor do que o primeiro que eu fiz”, afirmou.

A participação de Fonteles na coordenação da campanha presidencial do PT ampliou sua presença nas articulações nacionais. O Piauí também registrou uma das maiores votações proporcionais de Lula no país, com 70,99% dos votos válidos no primeiro turno e 75,88% no segundo, segundo os dados eleitorais citados na reportagem.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Na entrevista, Fonteles também criticou a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois da derrota na eleição presidencial. O governador classificou como inócua a iniciativa de Flávio de deixar o Brasil e divulgar uma carta na qual se declarou presidente eleito, embora o resultado oficial tenha confirmado a vitória de Lula.

Fonteles reconheceu, entretanto, que o bolsonarismo continua representando uma força política relevante no país.

A discussão sobre a política econômica do próximo mandato ocorre em meio às articulações para a formação da equipe ministerial de 2027. A eventual escolha de Fonteles para a Fazenda ainda não foi confirmada pelo presidente eleito. Por enquanto, o governador mantém publicamente o compromisso de permanecer à frente do Executivo piauiense.

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