Amanhã, 31 de maio, é o Dia Mundial Sem Tabaco
Poucos sabem, mas os danos que o cigarro causa não se limitam aos pulmões, o tabaco atinge também os ossos.
O coordenador do Serviço de Ortopedia do Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, José Luis Zabeu explica que há também lesões menos conhecidas, tais como a cegueira e o envelhecimento precoce da pele. “Os músculos também são afetados. A mulher menopausada perde em média cerca de 0,5% da massa óssea anualmente, o que é parte do processo de envelhecimento. Já a fumante, perde mais de 1% ao ano”, acrescenta Zabeu. Segundo o ortopedista, o fumante que quebra um osso também demora mais para se curar do que quem não fuma. “O grande risco de fraturas está ligado ao número de cigarros fumados ao dia, e este é maior entre as pessoas de pele clara e magras que praticam pouca ou nenhuma atividade física”, ressalta. Ao parar de fumar, o risco de fraturar o fêmur, por exemplo, só diminui após dez anos. Quando se trata de outras lesões, o cigarro também pode causar dor nas costas e hérnia de disco, freiar o processo de cicatrização de feridas, pois diminui o fluxo de sangue na pele e atrasa a consolidação de fraturas. O ortopedista explica que podem surgir também doenças reumatológicas, tais como a artrite reumatóide, esta que é significativamente mais elevada em mulheres que fumam ou já fumaram. “Mais do que parar de fumar para evitar a morte precoce, o objetivo de largar o cigarro envolve melhora na qualidade de vida e no bem-estar do dia a dia”, reitera Zabeu. Alguns dados já comprovados relativos às alterações ortopédicas e reumatológicas relacionadas ao fumo: 1. Osteoporose: a mulher menopausada perde, em média, cerca de 0,5% de sua massa óssea anualmente, o que faz parte do processo fisiológico de envelhecimento. Já a fumante perde mais de 1% ao ano. O mecanismo desta perda está ligado à interação entre o fumo e o estrógeno, além da liberação de radicais livres, os quais atuam antagonicamente ao hormônio feminino. Há uma diminuição da função da célula que produz a matriz óssea, chamada de osteoblasto, pela diminuição da concentração de oxigênio no sangue. Isto explica também a maior dificuldade que existe na consolidação de fraturas em fumantes. O risco aumentado de fraturas está ligado ao número de cigarros fumados ao dia, sendo claramente maior quando se fuma mais de 20 cigarros diariamente. A parada do vício só diminui o risco de fratura no fêmur após 10 anos. O risco maior é para pessoas de pele clara e magras, que fizeram e fazem pouca ou nenhuma atividade física. Isto é válido também para homens acima de 60 anos. 2. Dor nas costas e hérnia de disco: o fumante, de modo geral, costuma ter hábitos de vida nocivos à saúde, como erros na alimentação e sedentarismo. Isto, isoladamente, já seria motivo para o aumento da incidência de dores nas costas, comum em pessoas acima do peso e com musculatura mal condicionada. No caso específico da ocorrência de hérnias de disco, a chance de cura após o tratamento cirúrgico da mesma é menor para quem fumou nos últimos 15 anos ou mais. Há também maior incidência de hérnias de disco em quem fuma. Estudo envolvendo gêmeos idênticos, onde um fumava e outro não, a incidência de dor nas costas não variou, mas a ressonância magnética da coluna vertebral mostrou discos mais doentes no grupo que fumava, o que predisporia ao aparecimento de hérnias e sintomas. Parece que a causa desta alteração está ligada a uma nutrição menor do disco e dos tecidos ao redor, pela baixa concentração de oxigênio e por fenômenos de micro-oclusão de pequenos vasos sanguíneos, resultado de alterações na coagulação do sangue motivadas pelo fumo. Homens e mulheres acima de 50 anos têm três vezes mais chance de ter dor nas costas quando fumam mais que um maço ao dia. Por algum motivo, esse risco não ocorre em mulheres fumantes entre 30 e 40 anos, quando comparado às não fumantes. 3. Cicatrização de feridas: o cigarro diminui o fluxo de sangue na pele, pela vasoconstrição periférica causada diretamente pela ação da nicotina, além também da diminuição da concentração de oxigênio, substituído pelo monóxido de carbono. Há diminuição da síntese de colágeno e consequente dificuldade de cicatrização. Isto vai contribuir também com aumento expressivo nas infecções pós-operatórias, pela falta de cicatrização no tempo correto. 4. Consolidação de fraturas: diversos trabalhos envolvendo consolidação óssea nas cirurgias de fusão de ossos da coluna (artrodeses) mostram diferenças entre fumantes e não fumantes, com prejuízo para o primeiro grupo. No entanto, o fato de se parar de fumar antes da ocorrência da cirurgia já melhora seu prognóstico. O momento de parar é controverso; desde um dia até um mês antes da cirurgia. O fato de se parar próximo à cirurgia já melhoraria a concentração de oxigênio no sangue, uma vez que haveria tempo do organismo limpar o excesso de monóxido de carbono decorrente da inalação da fumaça do cigarro. Radicais livres e fatores sanguíneos ligados à coagulação estarão corrigidos em uma semana sem cigarro. Outros estudos já sugerem ao menos 60 dias de abstinência do fumo, quando o objetivo da cirurgia for a formação de osso, o que acontece em fraturas, alongamentos ósseos ou cirurgias de fusão articular. 5. Doenças reumatológicas: um estudo envolvendo mais de 100 mil pacientes demonstrou que a ocorrência de artrite reumatóide é significativamente mais elevada na mulher que fuma ou que já fumou, principalmente se o volume diário de cigarros foi maior que 15.




