A um mês para a realização das eleições municipais, o Jornal Local entrevistou os três candidatos a prefeito que desapontam nas pesquisas como possíveis eleitos. Foram ouvidos Jonas Donizette (PSB), Márcio Pochmann (PT) e Pedro Serafim (PDT). Eles responderam perguntas sobre o modelo de gestão pública, principal problema da cidade, como recuperar as finanças da Prefeitura, corrupção, trabalho conjunto com os vereadores, relacionamento com o governo federal e quais os critérios que serão adotados para formar a equipe de secretários.
Das perguntas enviadas aos candidatos, duas tratam de assuntos específicos dos distritos de Sousas e Joaquim Egídio e abordam os temas saúde, segurança, educação, trânsito e projetos habitacionais em áreas de risco.
Gestão Pública
Pedro Serafim (PDT) disse que caso seja eleito adotará uma gestão participativa com encontros do Orçamento Participativo (OP). “Implantamos esta política de ouvir o povo, por meio das reuniões participativas, cujo mecanismo principal é o número 156”, argumentou. Por meio dos relatórios, segundo ele, são avaliados os principais serviços e seus desempenhos.
Já o adversário político e candidato Jonas Donizette (PSB) acredita que uma gestão eficiente e moderna está baseada na informatização da máquina administrativa. “Valorizar os setores, criar boas condições de trabalho resultará em benefício para o cidadão”, disse.
Donizette ainda cita o programa Poupatempo, do governo estadual, como um exemplo de prestação de serviço público com ótima avaliação pela população. “Pretendo criar um modelo de Poupatempo Empresarial. Campinas concentra um grande número micro e pequenos empresários, responsáveis por 70% do emprego de nosso país. O desafio será interagir estes empresários com o poder público”, acrescentou. Neste sentido, o candidato pretende criar um mecanismo que ajude os empresários na hora da retirada das certidões, que demande menos tempo, e torne ágil o pagamento de impostos. “Uma gestão que vise a sustentabilidade em todas as ações da Prefeitura”, finalizou.
Para o candidato petista, Márcio Pochmann, a máquina administrativa precisa ser inovada com o uso correto dos recursos públicos. Outro aspecto é envolver a população nas decisões. “O sistema atual reduz a participação popular. O cenário precisa ser mudado. A Câmara Municipal precisa mudar sua atuação é fiscalizar o Executivo. Uma gestão de administração digital com formas de acompanhamento, integrando bancos de dados, monitorando políticas públicas e programas sociais irão moralizar e legalizar a administração”, ponderou.
Problemas Emergentes
“Hoje, Campinas possui alguns problemas emergentes, mas o principal deles é o financeiro, se não equilibrarmos financeiramente a prefeitura de Campinas não teremos condições de sanar os demais nas áreas da saúde, segurança pública e da manutenção da cidade”, destacou Pedro Serafim (PDT).
Donizette disse que Campinas possui diferentes realidades e cada região tem suas prioridades. O principal problema, segundo ele, se refere à área da saúde seguida da segurança pública e trânsito oferecendo um transporte público de qualidade. “A Cultura é outra área que está abandonada. A cidade tem necessidade de um teatro e, para isto, nosso partido tem um compromisso com o Governo do Estado de investimento nesta área com a construção de um espaço a altura de uma cidade do porte de Campinas”, comentou. Educação e esporte também foram considerados áreas que necessitam de atenção por parte da administração pública.
De acordo com o candidato petista, hoje a administração pública está desestabilizada devido a obstáculos econômicos, sociais e ambientais. A taxa de pobreza, o alto índice de mortalidade infantil, consumo de crack e moradores de ruas são os problemas emergentes e pontuais que a nova administração deverá se focar.
Finanças
Serafim, que assumiu a Prefeitura após os escândalos políticos, disse que as finanças públicas estão se recuperando com ações eficientes e transparentes, que coíbem principalmente a corrupção. Um exemplo mencionado são as licitações online, por meio dos pregões eletrônicos, que permitem acompanhamento de contratos, andamento das obras e pagamentos em tempo real. “Com este tipo de ação a Prefeitura já teve uma economia de até 88% em licitações, o que permitiu um contingenciamento de 15% linearmente entre todas as secretarias”, afirmou.
A criação da Secretaria de Administração, que reúne única e exclusivamente a arrecadação de impostos, também é um instrumento para diminuir o déficit da Prefeitura. “Em Campinas cerca de 50 mil imóveis não pagam impostos pela falta de lançamento de impostos”, exemplificou. Outra fonte de receita municipal é a cobrança do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS). “Nos últimos anos esta fonte de arrecadação tem sido negligenciada. Com a ampliação do aeroporto de Viracopos a partir do ano que vem iniciaremos a tributação e estamos estudando a cobrança de IPTU para as áreas concedidas”, comentou Serafim.
Para manter as finanças públicas em ordem, Donizette pretende dar coeficiência ao dinheiro público com controle social dos gastos da administração por meio da transparência pela internet de todos os pagamentos e contratos, além da criação do Conselho de Cidadania com conselheiros voluntários de vários setores da sociedade que acompanharão a execução de políticas públicas, metas e balancetes. “Hoje o PIB de Campinas é de R$ 32 bilhões de reais, o orçamento gira em torno de R$ 3,4 bilhões. Acreditamos que nós temos condição de aumento a arrecadação sem aumentar impostos. A população já está com uma carga pesada de tributos. Podemos aumentar a arrecadação com um trabalho mais eficiente e criar condições de fazer frente às demandas sociais que a cidade apresenta”, argumentou.
Ele também acredita no crescimento econômico de Campinas. “A questão de Viracopos, os investimentos que vão ser feitos e as novas indústrias incrementará a arrecadação”, acredita o candidato.
Pochmann prega que a recuperação econômica da cidade deverá ser pontuada em várias ações, como a expansão de proteção ambiental, uso de sistema digital para licitações, prontuários médicos disponíveis em 48 horas e orçamento territorializados. Além destas mudanças, o petista propõe a criação de novas subprefeituras e mudança na organização do sistema de arrecadação. “Campinas está na décima oitiva posição no ranking de cidades brasileiras e é a terceira com maior arrecadação de recursos. Apesar da boa colocação a cidade não recebeu melhorias. A Prefeitura encontra-se sem dinheiro em caixa e alguns recursos são mal aplicados”, comentou.
Corrupção
Sobre este assunto, Serafim diz que irá tratar assim como fez quando era presidente da Câmara e estourou o escândalo na Prefeitura. “Á época, nós lidamos com transparência e independência. Conduzimos todo o processo do julgamento que culminou na condenação, de forma independente, isenta e transparente”, destacou.
Segundo ele, as denúncias devem ser auditadas pela Secretaria de Gestão e Controle. “Antes as denúncias somente podiam ser investigadas com a autorização do prefeito. Hoje não, a secretaria tem poder de auditar, inclusive o prefeito. É este o grau de independência que queremos dar a secretaria de Gestão e Controle para que eles possam fiscalizar absolutamente tudo”, enfatizou.
Donizette destacou que a luta contra a corrupção é um combate constante e como deputado estadual apoiou a Ficha Limpa na contratação de funcionários da administração pública. Para ele, também deve ser criado um mecanismo que qualquer cidadão possa apontar falhas e que a administração possa ser averiguada rapidamente. “Vamos trabalhar contra a corrupção em três frentes: exemplo, fiscalização e punição”, afirmou.
Para o candidato petista os escândalos políticos fizeram com que a cidade perdesse a dependência da política, o que gerou condições negativas para os coletivos e afetando a condição de vida da população. Para ele, a lei não é aplicada e a corrupção e falta de moralidade se perpetuam na administração pública.
Legislativo
Poderes diferentes e independentes, porém responsável em ecoar a voz da população sem interferir na gestão do Executivo. Esta é a opinião do candidato Serafim que ainda defende a idéia de um relacionamento com o Legislativo de cordialidade, independência e respeito.
Donizette disse que caso seja eleito pretende ter um relacionamento de harmonia e independência com apresentação de projetos que visem o desenvolvimento da cidade. “Campinas deve crescer muito na próxima década e precisamos aproveitar este momento. Com planejamento, estaremos abertos as propostas do Legislativo que sejam boas para cidade”, disse.
Outro aspecto que o candidato defende é o papel fiscalizador do Legislativo.
Para o candidato petista a Câmara vem desempenhando um papel que é do Executivo. Para ele, o Legislativo deve ampliar a participação da população nas decisões. Pochmann ainda defende a descentralização do poder. “Em Campinas temos vários centros e temos que envolver a população como um todo nas decisões.
Governo Federal
Segundo Serafim, o relacionamento com o Governo Federal é tranqüilo e recebe o tratamento que a cidade merece.
Donizette reforça a sua atuação como deputado, estadual e federal, e a força do partido junto ao governo de Dilma Rousseff , que participa da gestão petista com três ministérios. “Acho que o mais importante é destacar Campinas por si só, pela força que tem, pelo o que representa, já merece esse tratamento do Governo federal, mas tendo uma pessoa que tem um bom canal de relação já ajuda mais e já fui considerado entre os deputados que mais apoiou os projetos da presidenta Dilma”, lembrou.
Pochmann disse que a cidade perdeu muitos investimentos na gestão do ex-prefeito cassado Hélio Oliveira Santos. “Foram cerca de R$ 3 bilhões de recursos que não foram aplicados. A presidenta Dilma Rousseff está comprometida com Campinas, porém a Prefeitura precisa apresentar projetos junto ao governo federal”, criticou.
Equipe de Governo
Serafim defende que as indicações aos cargos comissionados na atual administração são pautadas em critérios como ser morador, conheça as demandas e participe do governo. Enquanto que para Donizette o critério de indicação será a competência, ou seja, técnico.
“Construí uma coligação de oito partidos, porém a escolha da equipe de governos será independente”, explicou. Mas Ele nega que haverá loteamento de cargos e que a espera ganhar as eleições baseado no voto popular. “Comprometimento é o segundo critério. Serão escolhidas pessoas que já tenham uma folha de serviço prestada reconhecidamente pela comunidade e que tenham vivência na área que vão atuar. “O secretário de Cultura será uma pessoa que conhece cultura, que é respeitado no meio cultural, nós não indicar uma pessoa que não tenha qualquer identidade com a área. “Vamos montar uma equipe de pessoas respeitadas pela sociedade campineira e que irão trabalhar em harmonia sobre meu comando”, finalizou.
Sousas e Joaquim Egídio
Saúde
Para área de saúde, Serafim destaca o trabalho que vem sendo realizado pelo seu governo com o preenchimento das vagas para o Hospital Ouro Verde e a construção do Pronto Socorro Metropolitano. “Aberturas de novos postos de saúde, implantação do pronto atendimento na região central e mutirões de especialidades são ações que temos adotado.”, comentou. Outro aspecto será a avaliação das demandas e necessidades de cada região e bairros. “Doze novos Centros de Saúde estão entre as metas, inclusive a construção de um pronto socorro em Sousas e Joaquim Egídio.
Já Donizette acredita que os 62 centros de saúde devem receber investimentos para que o atendimento seja eficiente, completando o quadro de funcionários da saúde.
A criação do programa de remédio em casa para pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade será um novo padrão de atendimento na área da saúde, com acolhimento e humanização. “O foco será na saúde pública de boa qualidade”, defendeu.
Pochmann afirmou que, se eleito, irá reformar e ampliar os Centros de Saúde para que eles possam realizar o atendimento básico da população “Vamos construir mais três UPAs e construir o Hospital Metropolitano, o Hospital do Câncer e Hospital de Queimados. Esta é a nossa proposta completa para a saúde. Fazendo o que se denomina política da saúde, que é a coordenação não apenas da saúde pública municipal, mas a estadual e a federal. Junto com a saúde privada e filantrópica. Desta maneira coordenada, nós vamos resolver em definitivo os problemas da saúde em Campinas”, analisou.
Segurança
Serafim se posicionou contrário a retirada da base da Guarda Florestal e Municipal do distrito de Sousas. Porém, a decisão judicial foi acatada e provisoriamente estão locados em Joaquim Egídio. “Estamos procurando uma área pública que possa abrigar a nova sede em Sousas, já que o distrito é um pólo maior.
O monitoramento de câmeras em vários pontos na cidade também é defendido pelo candidato. Ele diz que quando assumiu a Prefeitura das 370 câmeras apenas 100 estavam em funcionamento devido à falta de manutenção. “Pretendo em quatro anos ter mais de quatro mil câmeras em locais de maior concentração, principalmente comércio, serviços, escolas e centros de saúde”, antecipou. Outra ação será o combate a veículos furtados, que segundo fontes oficiais, já contabilizam 700 por mês com sistema de leitura e identificação de placas.
Donizette propõe para a região a criação de um programa, em parceria com as polícias, Militar e Civil, denominado “Vizinhança Solidária”, cujo objetivo é encontrar soluções locais e características de cada localidade contra a criminalidade.
Pochmann propõe uma plataforma de Políticas Municipais de Segurança Pública com vistas a impedir a violência e promover a justiça e a paz. O objetivo dessas políticas é integrar ao máximo, com o maior protagonismo possível por parte do Poder Público Municipal, a ação das diferentes instituições policiais que atuam na área do município de Campinas
Acesso
Serafim defende o calçamento da CAM 127, que segundo explica, ainda não aconteceu devido a uma determinação judicial. Sobre o prolongamento da Avenida Mackenzie, ele diz ser um projeto que irá beneficiar a população de Sousas e Joaquim Egídio abrindo uma nova rota de acesso e permitindo uma mobilidade urbana e lançamentos de novos investimentos, condomínios na região.
O prolongamento da Avenida Mackenzie é uma obra que será mantida pelo candidato Donizette, já que beneficiará os moradores e comerciantes locais. “A construção de uma alça de acesso ao centro de Sousas é um compromisso assumido com a população da região”, diz. Quanto a CAM 127 em Joaquim Egídio, Donizette diz que vai abrir uma discussão com a população e deve propor um calçamento ecológico pelo forte apelo da região com o meio ambiente.
Creche
O assunto creche, segundo Serafim, é um problema que atinge a cidade como um todo. Ele diz que está sendo realizada uma licitação para a construção de 44 novas salas nas creches de Campinas. O candidato não especificou se os distritos de Sousas e Joaquim Egídio estão na lista. Outra ação para diminuir o déficit será a construção de oito naves mães, fruto de uma parceria com o Governo Federal, cuja verba já se encontra disponível na Caixa Econômica Federal.
Donizette diz que a cidade apresenta um déficit de sete mil vagas. A proposta de seu governo é manter a parceria com o governo federal na construção de unidades do projeto Nave Mãe e assim cumprir com a determinação da lei federal que todas as crianças de quatro a seis anos devem ser matriculadas na pré escola, somando daí cerca de 14 mil novas vagas. “Os 25% do orçamento municipal tem que ser aplicado na Educação”, ponderou.
O candidato petista também abordou as melhorias que pretende introduzir na educação. “Nós vamos inovar Campinas estabelecendo as creches no período integral, 12 horas de atendimento por dia, 12 meses no ano”, afirmou, ressaltando que seu compromisso com a educação vai além desta questão. “Vamos construir cinco CEUs (Centro de Ensino Unificado), que abrirão vagas para 25 mil crianças do período fundamental, compreendendo também creches. São equipamentos com piscinas, quadras poliesportivas, teatros, laboratórios, condições adequadas para oferecer não apenas educação de qualidade, mas cultura, uma visão ampla da formação, a busca da coesão social”, defendeu.
Cultura
A reabertura do Teatro Castro Mendes, programada para novembro, foi uma das ações de Serafim. “O teatro foi inteirinho reformado e temos planos que gostaríamos de discutir com a sociedade para a reforma e reabertura do Centro de Convivência Cultural”, anunciou. No ano passado, Geraldo Alckmin divulgou a construção de um teatro na cidade, localizado no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim. Além desta ação do governo estadual, Serafim propõe a abertura de oficinas culturais em regiões, como Campo Grande e Ouro Verde.
Já para o candidato Donizette a vocação cultural da cidade e baseado nisto elaborou um projeto de visibilidade e difusão da cultura campineira. Os distritos devem receber apoio da administração para os projetos culturais fortalecendo a produção local. “Cultura não cria, você não impõe, você simplesmente fomenta para que ela aconteça de forma mais espontânea”, completou.
“Encaramos a Cultura como um conjunto de manifestações materiais e espirituais da população de Campinas. E entendemos que cabe ao poder público municipal ajudar a criar o ambiente propício à criação de uma cultura diversificada, democrática, tolerante, solidária, transformadora, capaz de potencializar o melhor do legado das gerações passadas, disposta a deixar o melhor legado para as gerações futuras”, destacou o candidato do PT, Márcio Pochmann.
Ele ainda destacou que o Programa de Cultura não se limita às ações da atual Secretaria de Cultura, nem da futura Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, nem mesmo a ação integrada do conjunto das chamadas secretarias de políticas sociais (como Educação, Saúde e Assistência). “Para o futuro governo de Campinas, uma nova cultura cidadã é missão do conjunto do governo”, complementou o petista.
Habitação : moradias em área de risco
Todos os núcleos habitacionais passíveis de ser regularizados devem ser regularizados. Porém, as moradias que se encontrarem em lugares não permitidos, como em áreas de preservação ambiental ou área de riscos, os moradores terão que ser removidos e preferencialmente alocados na mesma região da cidade, segundo Serafim.
Para as moradias em área de risco, Donizette diz que os moradores tem preferência nos próximos projetos de habitacionais.”Lidar com muita responsabilidade, porque a moradia é a dignidade do cidadão, uma pessoa que mora numa área de risco vive sob constante medo. É da responsabilidade da administração municipal buscar soluções para essa questão e nós vamos fazer isso em parceria com estado e governo federal”, ressaltou o candidato.
Entre as propostas de Pochmann para a habitação constam: associar a recuperação ambiental nos processos de urbanização de favelas junto aos córregos, quando houver reassentamento de famílias, no intuito de dar a devida destinação às áreas remanescentes, evitando ocupações reincidentes e garantindo efetividade da ação como medida de melhoria da qualidade ambiental de todo o entorno; garantir a implantação de projetos urbanísticos que incluam áreas para o lazer, circulação e recuperação ambiental nos núcleos e favelas; aperfeiçoar a gestão da política de habitação através da capacitação dos agentes envolvidos na política seja governo, sociedade civil ou setor produtivo ligado à construção civil.




