Declaração de Tarcísio sobre 2030 provoca reação entre aliados de Flávio Bolsonaro

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Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o governador paulista se movimentou antes de o grupo reorganizar sua atuação após a derrota eleitoral. Foto reproduçãoX

Governador de São Paulo admite possibilidade de disputar a Presidência após concluir segundo mandato; integrantes do PL consideram antecipada a manifestação e apontam disputa pelo comando da oposição.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocou desconforto entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao admitir que poderá disputar a Presidência da República em 2030. A declaração foi feita quatro dias depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio na eleição de 25 de outubro e abriu uma nova frente de tensão dentro do campo político ligado ao bolsonarismo.

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Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (30), integrantes do PL interpretaram a manifestação de Tarcísio como uma antecipação da disputa pelo Palácio do Planalto. Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o governador paulista se movimentou antes de o grupo reorganizar sua atuação após a derrota eleitoral.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio condicionou uma eventual candidatura ao desempenho de seu segundo mandato no governo paulista e à avaliação coletiva de seu grupo político.

“A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou.

O governador acrescentou que sua prioridade é cumprir o mandato para o qual foi reeleito e resumiu: “2030 é outra conversa”.

Disputa pela liderança da oposição

A declaração ocorre em meio à reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro. De acordo com O Globo, aliados do senador consideram que a fala de Tarcísio pode disputar espaço com o projeto de Flávio de se consolidar como principal liderança da oposição ao governo Lula a partir de 2027.

A reportagem também aponta que Flávio pretende manter protagonismo político e discute com aliados a possibilidade de anunciar uma pré-candidatura presidencial para 2030. Essa movimentação, entretanto, não representa uma candidatura formal nem uma decisão partidária.

Outro ponto de atenção é a atuação de Michelle Bolsonaro (PL-DF). Segundo o jornal, setores ligados a Flávio acompanham com ressalvas a participação política da ex-primeira-dama, em um cenário de disputa por influência dentro do grupo.

Histórico de divergências

A tensão também recupera as articulações anteriores à eleição presidencial de 2026. Tarcísio era citado como uma possibilidade para representar o bolsonarismo na disputa nacional, mas Jair Bolsonaro optou por apoiar o próprio filho.

Durante a campanha, o governador participou de agendas ao lado de Flávio, viajou com o candidato e colaborou na preparação para os debates televisivos. Ainda assim, segundo relatos de integrantes do PL publicados por O Globo, parte dos aliados do senador avaliava que Tarcísio poderia ter se empenhado mais na campanha.

A manifestação sobre 2030 expõe, portanto, uma questão que deverá acompanhar a oposição no início do próximo mandato presidencial: quem terá a capacidade de organizar os partidos, definir a estratégia no Congresso e representar eleitoralmente o campo conservador.

Por enquanto, Tarcísio não anunciou candidatura. Sua declaração foi apresentada como uma possibilidade condicionada ao resultado de sua gestão em São Paulo e às decisões que serão tomadas coletivamente pelo grupo político.

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