Número associado ao neonazismo aparece em quase 15 mil votos nulos no segundo turno

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A digitação pode estar relacionada a protesto político, erro, escolha deliberada de um número sem significado ideológico ou outras motivações. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Levantamento aponta registros do código 88 nas urnas eletrônicas; São Paulo concentra a maior quantidade, mas dados não permitem identificar a intenção dos eleitores.

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Quase 15 mil registros de votos nulos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 teriam ocorrido após a digitação do número 88 nas urnas eletrônicas, segundo levantamento divulgado pela Revista Fórum nesta quinta-feira (29). O código é associado a grupos neonazistas e supremacistas brancos, mas os dados eleitorais não permitem identificar quem digitou a sequência nem determinar se houve intenção de manifestar apoio a essas ideologias.

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A associação do número 88 ao neonazismo é documentada pela Liga Antidifamação (ADL), organização internacional que monitora manifestações de antissemitismo e extremismo. Na simbologia supremacista branca, os dois algarismos representam as letras HH, iniciais da expressão alemã Heil Hitler, uma saudação utilizada pelo regime nazista.

A ADL ressalta, entretanto, que o significado de números e símbolos precisa ser avaliado de acordo com o contexto em que aparecem. O número 88 também pode ser utilizado sem qualquer relação com extremismo.

São Paulo lidera em quantidade de registros

De acordo com os números apresentados pelo levantamento, São Paulo concentra a maior quantidade de ocorrências, com 4.734 registros. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 1.825, e Rio de Janeiro, com 1.213.

Santa Catarina apresenta o maior percentual informado entre os estados relacionados: 678 registros, equivalentes a 0,55% dos votos nulos. O Paraná aparece na sequência, com 906 ocorrências e percentual de 0,45%.

Também foram identificados 56 registros entre votos contabilizados no exterior.

O total nacional, porém, ainda depende de conferência independente. Os números divulgados não devem ser tratados como uma contagem definitivamente auditada.

Urnas não identificam motivação do eleitor

O levantamento utiliza registros digitais da votação para identificar a frequência com que determinadas sequências numéricas foram digitadas para anular votos.

Esses dados não revelam a identidade dos eleitores nem permitem estabelecer a motivação de cada escolha. Portanto, não é possível afirmar que todos os registros representem manifestações neonazistas.

A digitação pode estar relacionada a protesto político, erro, escolha deliberada de um número sem significado ideológico ou outras motivações.

O dado permite identificar a ocorrência de uma sequência numérica nas urnas, mas não comprova a existência de 15 mil eleitores vinculados a organizações extremistas.

A diferença entre o significado histórico de um código e a intenção individual de quem o utiliza é fundamental para interpretar os números sem produzir conclusões que os registros eleitorais não sustentam.

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