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domingo, fevereiro 22, 2026
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Associação chefiada por ex-cabo, motorista e esteticista recebeu R$ 53 milhões via emendas para ensinar crianças a jogar videogame

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PF e CGU apuram desvio de verbas públicas destinadas a projeto de eSports financiado por parlamentares do Distrito Federal

Reportagem Sandra Venancio – Foto Divulgação PF

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (29/7), uma operação para investigar o possível desvio de recursos públicos destinados à Associação Moriá, entidade que recebeu R$ 53 milhões em emendas parlamentares do Distrito Federal para ensinar crianças e adolescentes a jogar videogames como Free Fire, Valorant, League of Legends (LoL) e eFootball.

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A entidade, que tem como dirigentes um ex-cabo do Exército, um motorista e uma esteticista, foi beneficiada com quase R$ 46 milhões apenas para um programa voltado à realização de eventos de esportes digitais — os chamados eSports. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles e gerou forte repercussão entre órgãos de controle e especialistas em execução orçamentária.

Segundo as investigações, os repasses foram feitos por meio de emendas parlamentares, sem licitação e com baixa fiscalização sobre a real execução dos projetos. A Associação Moriá, que não possui histórico consolidado na área educacional ou esportiva, concentrou recursos de maneira desproporcional a sua estrutura e experiência prévia. Os contratos previam ações de “capacitação e inclusão digital por meio de videogames” para crianças e adolescentes, mas há indícios de que parte significativa dos recursos pode ter sido desviada.

A operação realizada nesta terça-feira cumpre mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados à entidade e a seus dirigentes, inclusive na sede da associação e em residências de envolvidos. A Polícia Federal investiga possíveis crimes de peculato, fraude em execução de verbas públicas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Fontes ligadas à investigação apontam que a triangulação do dinheiro público por meio de ONGs e associações de fachada tem se tornado um modus operandi recorrente, especialmente com o uso de emendas do tipo RP9 (emendas de relator), conhecidas como “orçamento secreto”. O caso reacende o debate sobre a falta de transparência e controle efetivo sobre a destinação das emendas parlamentares, especialmente aquelas que escapam da fiscalização direta dos tribunais de contas.

Parlamentares do DF que destinaram os recursos à associação ainda não foram formalmente investigados, mas poderão ser convocados a prestar esclarecimentos. A CGU também investiga se houve conivência ou omissão por parte de órgãos locais responsáveis por aprovar ou acompanhar a execução dos projetos.

Especialistas em políticas públicas e educação criticam a lógica de investimentos públicos em atividades sem comprovação de impacto social real. “Incentivar cultura digital é importante, mas com critérios, metas e instituições qualificadas, não com dinheiro entregue a desconhecidos sem estrutura”, afirmou um pesquisador ouvido sob anonimato.

A Associação Moriá ainda não se manifestou oficialmente sobre as denúncias. A operação segue em andamento e o relatório parcial deverá ser apresentado nos próximos dias.

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