Governador tenta empurrar decisão sobre cassação para depois das próximas eleições

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, intensificou articulações em Brasília para tentar adiar o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que pode resultar em sua cassação e inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia jurídica mira ganhar tempo suficiente para que ele dispute uma vaga ao Senado em 2026 antes de eventual condenação definitiva.
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Nas últimas semanas, Castro esteve ao menos duas vezes na capital federal para reuniões com ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. O objetivo seria fortalecer pedidos de vista no TSE — instrumento que suspende o julgamento e pode postergar a conclusão do caso por meses.
A retomada da análise está marcada para 10 de março pela presidente da Corte, Cármen Lúcia. O processo foi interrompido após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, quando já havia voto da relatora Isabel Gallotti pela cassação do mandato e convocação de novas eleições estaduais.
ESCÂNDALO DO CEPERJ
O caso envolve o chamado “escândalo do Ceperj”, que apura a existência de uma estrutura paralela de contratações temporárias no Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. As investigações apontaram cerca de 20 mil vínculos temporários que teriam sido utilizados para beneficiar aliados políticos e cabos eleitorais.
Além de Castro, respondem à ação o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha. A acusação sustenta que houve uso da máquina pública e de recursos administrativos para influenciar o pleito.
Nos bastidores, aliados avaliam que, se o julgamento for concluído apenas após as eleições de 2026, Castro poderia registrar candidatura estando formalmente elegível. Mesmo que a condenação venha depois, o cálculo jurídico considera que a condição de elegibilidade é aferida no momento do registro da candidatura. Assim, uma eventual declaração posterior de inelegibilidade não afetaria um mandato já diplomado.
TROCA NO COMANDO DO TSE
Outro elemento observado pela defesa é a mudança na presidência do TSE. A partir de junho, o ministro Kassio Nunes Marques deve assumir o comando da Corte. Nos bastidores políticos, a troca é vista como fator que pode alterar o ritmo e a condução dos julgamentos sensíveis.
A defesa apresentou ainda uma questão de ordem pedindo o arquivamento das ações sob argumento de que o então reitor da Uerj em 2022, Ricardo Lodi, também candidato naquele pleito, não foi incluído no polo passivo do processo, apesar de suposta ligação com as contratações investigadas. Para os advogados, a ausência comprometeria a validade da ação.
O julgamento mobilizou uma ampla equipe jurídica, incluindo ex-ministros do próprio TSE, em uma ofensiva para preservar o mandato e a linha sucessória do governo fluminense. O desfecho, além de impacto direto na carreira política de Castro, pode redesenhar o cenário eleitoral do Rio de Janeiro para 2026.




