Depoimento de Aline Bárbara Mota ocorre em meio a acusações de fraude em votação e empurra-empurra entre governistas e oposição

A ex-secretária do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, Aline Bárbara Mota, afirmou nesta segunda-feira (2), em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que não realizou qualquer repasse financeiro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Questionada diretamente pelo deputado Rogério Correia, ela foi categórica: negou ter transferido valores ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
A oitiva ocorreu em meio a uma escalada de tensão dentro da CPMI. Parlamentares do PT passaram a defender a anulação de uma votação realizada no dia 26 de fevereiro e pediram o impeachment do presidente do colegiado, o senador Carlos Viana, sob acusação de fraude na proclamação do resultado.
Durante a sessão, Rogério Correia confrontou Viana e afirmou que houve manipulação deliberada no anúncio do placar. “Foi uma fraude de resultado, obviamente construída. Infelizmente, não foi por erro, mas por má-fé. Vou apresentar um requerimento para que seja analisada uma nova presidência para esta comissão. O senhor deveria ser impeachado com o resultado que teve aqui”, declarou. Ele acrescentou que a presidência precisa ter “compromisso com a verdade e com a transparência”.
O deputado Paulo Pimenta também questionou a contagem de parlamentares presentes. “Não estávamos aqui apenas sete parlamentares; éramos 14. Eu, inclusive, fui à mesa e comuniquei à Vossa Excelência, antes da votação, que estávamos presentes naquele momento nove deputados e cinco senadores”, afirmou. Segundo ele, imagens da TV Câmara e da TV Senado comprovariam a divergência. “Entendemos que Vossa Excelência cometeu aqui uma ilegalidade. E, portanto, essa ilegalidade deve ser anulada”, disse.
Votação contestada e pedido ao Senado
O recurso protocolado no Senado sustenta que, na votação simbólica de 87 requerimentos, 14 parlamentares se levantaram para votar contra o bloco, enquanto sete permaneceram sentados, indicando maioria contrária. Ainda assim, o presidente proclamou aprovação. Os autores pedem suspensão imediata dos efeitos da decisão, declaração de nulidade, nova votação conforme o Regimento Comum do Congresso e envio do caso ao Conselho de Ética.
O documento foi assinado por parlamentares como Randolfe Rodrigues, Soraya Thronicke e Jaques Wagner. Caberá à Presidência do Senado analisar o pedido.
A crise se agravou após a aprovação, também em votação simbólica, de requerimentos que incluem a convocação e quebra de sigilo de Lulinha. A sessão foi interrompida por volta das 11h45 após empurra-empurra entre governistas e parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado Alencar Santana acusou a presidência de “sabotagem” ao priorizar pedidos da oposição e deixar de pautar requerimentos da base governista. “Ele prioriza todos os requerimentos da oposição, sabota os requerimentos nossos, da base do governo”, afirmou.
Entre os nomes que a base quer convocar estão empresários, governadores e ex-integrantes do governo anterior. Também foi protocolado requerimento para ouvir o senador Flávio Bolsonaro, por suposta ligação com o grupo investigado, além de pedido de convocação e quebra de sigilo de pessoas ligadas a empresas citadas pela Polícia Federal em apurações sobre desvios contra aposentados.
A CPMI foi criada para investigar possíveis fraudes contra beneficiários do INSS. A disputa sobre a condução dos trabalhos e a validade das votações coloca em xeque a credibilidade da comissão e pode levar a uma revisão formal dos atos já praticados, caso o Senado acolha o recurso.




