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quinta-feira, julho 9, 2026
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Investigação da PF apura se patrocínio de R$ 61 milhões a filme de Bolsonaro foi propina do Rioprev

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Análise aponta que repasse do Banco Master para produção cinematográfica coincide com o envio de R$ 1 bilhão do fundo de pensão dos servidores fluminenses para a instituição financeira de Daniel Vorcaro

A suspeita ganhou repercussão nacional após uma análise detalhada apresentada pelo jornalista Octavio Guedes no programa Estúdio i, da GloboNews. Foto Divulgação redes sociais

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RIO DE JANEIRO – O avanço das investigações sobre a quebra do Banco Master começou a desenhar uma nova e contundente linha de apuração que interliga o colapso financeiro da instituição a um suposto esquema de corrupção política e desvio de recursos previdenciários. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público investigam se o repasse de R$ 61 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ], sob a justificativa de patrocinar o filme Dark Horse, foi na verdade uma comissão disfarçada pelo direcionamento de quase R$ 1 bilhão do fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, o Rioprev.

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A suspeita ganhou repercussão nacional após uma análise detalhada apresentada pelo jornalista Octavio Guedes no programa Estúdio i, da GloboNews. Os investigadores trabalham com um cruzamento minucioso de dados e datas que demonstra uma coincidência cronológica precisa: no mesmo período em que os R$ 61 milhões irrigavam as contas da Go Up Entertainment LTDA para produzir a cinebiografia de Jair Bolsonaro [PL], o Palácio Guanabara autorizava a transferência do montante bilionário dos aposentados e pensionistas fluminenses para fundos geridos pelo banco de Vorcaro. O dinheiro do fundo estatal acabou sendo tragado pelo rombo financeiro que levou à liquidação do Master.

O Fator Cláudio Castro e a Engrenagem no Palácio Guanabara

A tese de triangulação ganha robustez política devido à forte ligação entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro [PL], e o clã Bolsonaro. Sendo o Rio o reduto eleitoral e político da família, analistas apontam que uma movimentação de R$ 1 bilhão de ativos públicos para uma instituição privada dificilmente ocorreria sem o conhecimento ou a articulação das lideranças que comandam a legenda no estado. Em sua intervenção jornalística, Guedes classificou como “falácia” o argumento de que o senador tratava apenas de negócios estritamente privados com o mercado financeiro, reforçando que o parlamentar tinha a obrigação institucional de acompanhar o destino do dinheiro público fluminense.

A engrenagem do suposto esquema estende seus tentáculos também para o terceiro setor e para contratos municipais. A Go Up Entertainment, produtora do filme, pertence à empresária Karina Ferreira Gama, que também comanda uma rede de Organizações Não Governamentais (ONGs). Essas entidades têm despertado o interesse dos órgãos de fiscalização por receberem volumes expressivos de emendas parlamentares de deputados federais bolsonaristas, além de gerenciarem contratos milionários — como o de R$ 108 milhões para instalação de Wi-Fi — junto à Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes [MDB].

Suspeitas de Lavagem de Dinheiro e Peculato

Embora a correlação entre os repasses e o aporte do Rioprev ainda seja tratada juridicamente como linha de investigação, a Polícia Federal foca na quebra de sigilos bancários e nas propostas de delação premiada para materializar o nexo causal. A principal hipótese é de que o Banco Master foi beneficiado politicamente com dinheiro dos servidores e, em contrapartida, devolveu uma fração do bolo travestida de investimento cultural privado na biografia do ex-presidente.

Caso as perícias financeiras confirmem o fluxo de retorno, o caso deixará o campo da crise bancária para se consolidar como um dos maiores escândalos de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção sistêmica da história recente, com impacto direto na sucessão presidencial e na estabilidade das alianças partidárias da direita nacional.

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