
Governo brasileiro afirma que negociações avançaram na cooperação em segurança, mas mantém foco nas tratativas para impedir a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou nesta terça-feira (7) que as negociações com os Estados Unidos abriram espaço para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional. O avanço foi anunciado após reuniões técnicas entre representantes brasileiros e do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, em meio às tratativas para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
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COMÉRCIO EXTERIOR
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a proposta atende a uma demanda apresentada pelo presidente Lula para fortalecer ações conjuntas de enfrentamento ao crime organizado que atua além das fronteiras nacionais. Segundo ele, a equipe americana reconheceu que há espaço para aprofundar essa cooperação, enquanto novas reuniões técnicas e políticas deverão ocorrer antes do encerramento da consulta pública promovida pelo governo dos Estados Unidos.
Apesar do avanço na área de segurança, o governo brasileiro reafirmou que pretende manter as negociações concentradas exclusivamente na questão tarifária. A avaliação do Palácio do Planalto é de que ampliar o debate para outros temas poderia dificultar um entendimento em um momento considerado decisivo para as exportações brasileiras.
Outro ponto tratado nas reuniões foi a defesa da exclusão do etanol das negociações comerciais. O governo argumenta que o biocombustível integra a mesma cadeia produtiva do açúcar e que qualquer flexibilização poderá provocar impactos sobre a indústria sucroenergética nacional, especialmente nos estados do Nordeste e também em São Paulo, principal produtor de cana-de-açúcar do país. O Executivo também sustenta que o açúcar brasileiro continua enfrentando elevadas barreiras tarifárias para acessar o mercado norte-americano.
Durante audiência pública promovida pelo USTR, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reforçaram o posicionamento brasileiro. As entidades defenderam que a redução das importações de etanol dos Estados Unidos ocorreu principalmente em razão da expansão da produção nacional de etanol de milho, e não por causa das tarifas atualmente praticadas.
Nos bastidores, a estratégia do governo brasileiro busca separar as negociações comerciais das pautas políticas. A condução das conversas também procura evitar desgastes diplomáticos em um momento de reorganização das relações comerciais entre os dois países. Especialistas avaliam que um acordo poderá reduzir incertezas para setores exportadores, principalmente o agronegócio, a indústria de transformação e o segmento de biocombustíveis, responsáveis por parcela significativa da balança comercial brasileira.
As tratativas ocorrem paralelamente à investigação aberta pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O procedimento permite aos Estados Unidos investigar práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas e, ao final do processo, adotar medidas como sobretaxas ou restrições comerciais. No caso brasileiro, a apuração envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outras políticas comerciais que estão sob análise das autoridades americanas.


