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quinta-feira, maio 21, 2026
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Crise do ‘Caso Master’ queima campanha de Flávio Bolsonaro com agro, evangélicos e Faria Lima

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Áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro paralisam aproximação do senador com setores estratégicos; PL estabelece prazo de 15 dias para avaliar viabilidade da pré-candidatura

As discussões passaram a dominar o grupo de WhatsApp “Aliança”, que reúne expoentes do bolsonarismo como Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes..; Foto Lula Marques/Agencia Brasil

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SÃO PAULO — A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em rota de colisão com suas principais bases de sustentação política e econômica. O avanço do escândalo envolvendo os áudios gravados com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou um forte abalo na interlocução do parlamentar com lideranças evangélicas, grandes produtores do agronegócio e investidores do mercado financeiro.

Embora aliados adotem cautela em pronunciamentos públicos, nos bastidores o diagnóstico é de que o episódio interrompeu abruptamente a estratégia de Flávio de reduzir resistências e se apresentar como um nome moderado da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Evangélicos em Alerta e Ventilação de Michelle como Alternativa

No segmento religioso, o impacto das revelações foi imediato. O áudio em que Flávio cobra R$ 134 milhões de Vorcaro gerou profunda irritação entre pastores influentes, principalmente porque o senador vinha negando a proximidade com o banqueiro. As discussões passaram a dominar o grupo de WhatsApp “Aliança”, que reúne expoentes do bolsonarismo como Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes.

O bispo Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra, classificou o episódio como um “balde de água fria” na construção da candidatura do “01”. “Foi muito negativo tanto o fato em si, da aproximação com Vorcaro, como a explicação em prestações. Claro que abalou o segmento, mas estamos todos em modo de espera para ver o que é crime e o que é apenas narrativa”, ponderou Rodovalho, destacando as próximas semanas como decisivas.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, adotou tom de cobrança e sinalizou que o apoio não é incondicional. “A relação de Flávio com evangélicos esfria, sim, se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio”, declarou.

Diante do desgaste, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ganhar forte tração entre os pastores como uma alternativa natural. De acordo com Rodovalho, Michelle herdaria integralmente o capital político de Jair Bolsonaro sem carregar o passivo das investigações. Questionada publicamente pela primeira vez sobre o elo entre o cunhado e o Banco Master, Michelle evitou polemizar e afirmou que cabe ao próprio senador se posicionar.

Desgaste na Faria Lima e o Fator Zema

O estremecimento também ecoou fortemente no mercado financeiro. Durante a realização da Brazil Week em Nova York, o assunto dominou as rodas de conversa de investidores e empresários. O mal-estar se acentuou após vir a público que Flávio procurou Vorcaro inclusive após a primeira prisão do banqueiro, quando este cumpria medidas restritivas de liberdade em São Paulo.

Para tentar conter a sangria na imagem e estancar as oscilações do mercado — que registrou alta do dólar após as primeiras revelações publicadas pelo site Intercept Brasil —, Flávio desembarcou em São Paulo para cumprir agendas de emergência. O senador participou de um almoço reservado com executivos da Faria Lima e jantou com empresários dos setores de turismo, aviação e hotelaria.

O movimento, contudo, não impediu que operadores passassem a ventilar alternativas viáveis dentro do espectro da direita. O nome do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), passou a ser citado com maior frequência devido ao seu perfil empresarial e discurso liberal consolidado. O ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que organizou um encontro para Flávio há dois meses, preferiu não se comprometer ao ser questionado sobre mudanças de rumo: “Está cedo”, limitou-se a dizer.

Agronegócio Busca Opções Menos Turbulentas

No front do agronegócio, embora o alinhamento ideológico ao bolsonarismo permaneça majoritário, o desejo por um candidato menos exposto a crises judiciais ganhou corpo. O setor já demonstrava preferência por perfis mais executivos desde que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rechaçou disputar a Presidência.

Com a crise do Banco Master, cresceram as consultas e a aproximação de produtores rurais com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — que possui forte trânsito na Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) — e com o próprio Romeu Zema. Ainda assim, parlamentares da bancada ruralista tentam minimizar o estrago. “O Vorcaro é tóxico, mas nosso entendimento é que isso é uma marola que passa”, minimizou o deputado Lafayette de Andrada (PL-MG).

O Cronômetro de Valdemar Costa Neto

Cientes da gravidade do cenário, dirigentes do Partido Liberal (PL) decidiram colocar a pré-candidatura de Flávio sob observação estrita. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, admitiu a interlocutores que o partido estabeleceu um prazo interno de 15 dias para monitorar o tamanho do impacto do escândalo nas pesquisas qualitativas e avaliar se o senador manterá viabilidade eleitoral.

Pressionado publicamente, Valdemar posteriormente modulou o discurso, afirmando que a musculatura de Flávio segue “mais sólida do que nunca”. A turbulência interna já provocou mudanças na coordenação de comunicação da campanha: o publicitário Marcello Lopes, o “Marcellão”, deixou a equipe do senador após o ápice das cobranças por respostas rápidas na última semana.

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