Secom repudia postura de senador em Washington e aponta objetivo eleitoreiro, enquanto ministérios negociam reversão de tarifas contra o Brasil
<OUÇA A REPORTAGEM>
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) emitiu uma nota oficial na terça-feira (7), em Brasília, repudiando veementemente a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O Palácio do Planalto acusou o parlamentar de agir com “claro objetivo eleitoreiro” e de legitimar as alegações norte-americanas para a imposição de tarifas contra o Brasil.
O posicionamento do governo federal ocorre em um momento de tensionamento diplomático e comercial, culminando em uma dura acusação formalizada na nota: “Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria.”
De acordo com o comunicado da Secom, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi o único entre os 34 brasileiros inscritos na audiência que não se posicionou de forma contrária às taxas. O governo enfatizou que o senador não contestou as justificativas dos Estados Unidos e apenas solicitou o adiamento da aplicação das medidas. Para o Executivo, a postura do parlamentar buscou “legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”.
Paralelamente ao discurso, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Itamaraty, da Justiça e do Palácio do Planalto realizavam negociações técnicas com o USTR para tentar reverter o “tarifaço”, em conversas que se estendem desde julho de 2025.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, criticou a politização do caso por parte da oposição, afirmando que “não há espaço para discussão de natureza política, eleitoral, egoística, ou qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil”.
O embate também envolve o setor de combustíveis; o governo rejeitou uma proposta de 86 páginas apresentada pelo senador que defendia a redução de tarifas sobre o etanol norte-americano.
Segundo o ministro, a concessão traria “risco” para a indústria sucroalcooleira do Nordeste, posição que foi respaldada por entidades do setor como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Por trás do embate público, analistas apontam que o episódio reflete uma disputa estratégica de narrativas que atende a interesses políticos e econômicos de ambos os lados. Para a base governista, o episódio serve para blindar a política externa e comercial do presidente Lula (PT), transferindo o desgaste do “tarifaço” para a oposição ao associar a família Bolsonaro à origem das sanções americanas.
Por outro lado, a atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos sinaliza um aceno direto ao eleitorado conservador e a setores do agronegócio exportador que buscam o alinhamento com o mercado norte-americano, além de utilizar o cenário internacional para desgastar a imagem do governo federal e questionar as políticas regulatórias de plataformas digitais vigentes no Brasil.




