Guarani demite Élio Sizenando às vésperas de jogo decisivo na Série C

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Técnico deixa o clube após sequência de resultados ruins; Bugre precisa vencer o Brusque para garantir vaga no quadrangular final

A turbulência no Brinco de Ouro chegou ao limite justamente na semana mais importante do Guarani na temporada. O clube anunciou a demissão do técnico Élio Sizenando horas depois da derrota por 3 a 1 para o Botafogo-PB, em João Pessoa, pela penúltima rodada da fase de classificação da Série C.

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Agora, o Bugre terá de decidir seu futuro no campeonato sob novo comando. No próximo sábado, às 17h, em Campinas, o Guarani recebe o Brusque na última rodada e precisa confirmar a classificação para o quadrangular final. Uma eliminação seria um duro golpe para um time que iniciou a competição como um dos principais candidatos ao acesso e possui uma das maiores folhas salariais da Série C.

Em nota oficial, o clube informou o desligamento de Élio e também dos auxiliares Lucas Andrade e Henrique Lima. A tendência é que Marcelo Marelli, auxiliar fixo da comissão técnica, assuma a equipe interinamente.

Queda de rendimento preocupa

A demissão ocorre depois de uma sequência de resultados que colocou em risco uma classificação que, até poucas rodadas atrás, parecia encaminhada. Nos últimos oito jogos, o Guarani venceu apenas uma vez. Foram seis pontos conquistados em 24 possíveis, aproveitamento de apenas 25%.

A derrota para o Botafogo-PB repetiu um problema que passou a marcar a campanha recente do time: a dificuldade para administrar vantagens no placar. Em João Pessoa, o Guarani foi para o intervalo vencendo por 1 a 0, mas sofreu a virada e acabou derrotado por 3 a 1.

O roteiro já havia se repetido em outras partidas. Contra o Ypiranga, o Bugre abriu 2 a 0 e permitiu o empate por 2 a 2. Diante do Anápolis, perdeu por 2 a 1 depois de também sair na frente. Contra o Paysandu, em Belém, chegou a abrir 2 a 0, mas terminou derrotado por 3 a 2. O problema deixou de ser um episódio isolado e passou a comprometer diretamente a campanha.

De sensação do campeonato a time pressionado

O cenário é ainda mais preocupante porque o Guarani chegou a ocupar a liderança da Série C durante quatro rodadas consecutivas entre maio e junho.

A equipe entrou no G8 após a quinta rodada, quando venceu o Santa Cruz por 1 a 0, no Brinco de Ouro, em 2 de maio. Desde então, permaneceu entre os oito primeiros por 14 rodadas consecutivas, alternando posições entre a liderança e o sexto lugar. Mesmo assim, a classificação ainda não está matematicamente assegurada. O início da queda ocorreu em 22 de junho, quando o Guarani perdeu por 2 a 0 para o Confiança, em Aracaju. A partir daquele momento, o rendimento despencou.

A fase ruim coincidiu ainda com problemas extracampo. O elenco demonstrou insatisfação com atrasos salariais e chegou a realizar uma paralisação. Dentro de campo, o time não conseguiu recuperar a estabilidade.

Élio deixa o clube após 18 jogos

Élio Sizenando havia sido anunciado em 11 de março para substituir Matheus Costa. Sua estreia aconteceu na primeira rodada da Série C, no empate por 1 a 1 contra o Maranhão, em São Luís, em 4 de abril.

Ao longo de pouco mais de cinco meses, comandou o Guarani em 18 partidas, com sete vitórias, seis empates e cinco derrotas, aproveitamento de aproximadamente 50%. Depois da derrota para o Botafogo-PB, ainda como treinador, Élio reconheceu o peso da última rodada. O técnico também resumiu a situação como uma decisão de “matar ou morrer” e pediu reação imediata dos jogadores. Foram suas últimas declarações antes da demissão.

Classificação virou obrigação

A situação coloca ainda mais pressão sobre o elenco para o confronto com o Brusque. Durante boa parte da competição, a classificação para o quadrangular final era tratada internamente como uma consequência natural da campanha. O próprio goleiro Caíque França havia destacado que a obrigação do grupo era permanecer entre os oito primeiros.

O zagueiro Maurício Antônio, porém, já havia demonstrado preocupação com o desempenho recente. Depois da derrota para o Anápolis, afirmou que, se a equipe repetisse no quadrangular final o futebol apresentado nas últimas partidas, teria dificuldades para conquistar o acesso.

O alerta também vinha do executivo de futebol Carlos Frontini, que procurava conter o excesso de confiança. Agora, a conta chegou ao último jogo.

Pressão dentro e fora de campo

A demissão de Élio não resolve, por si só, os problemas que levaram o Guarani à atual situação. O clube precisa reagir dentro de campo justamente depois de uma sequência marcada por viradas sofridas, queda de rendimento, problemas salariais e pressão da torcida.

Com uma das maiores folhas salariais da competição, o Bugre iniciou a Série C cercado de expectativas de acesso. A equipe chegou a liderar o campeonato, mas perdeu força na reta final da primeira fase. No sábado, contra o Brusque, estará em jogo mais do que uma vaga.

Para um time que chegou a sonhar com a liderança e com o acesso, o Guarani agora entra em campo para evitar que a temporada termine antes da hora.

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