
Mercado está dividido sobre novo corte da Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Projeções apontam inflação de 5,22% em 2026, acima do teto da meta, e expectativa de juros mais altos nos próximos anos.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (4) a decisão sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A reunião, iniciada na terça-feira (3), ocorre em meio à alta do dólar, à revisão das expectativas de inflação e à incerteza sobre os rumos da política econômica após o resultado das eleições presidenciais.
A possibilidade de um sexto corte consecutivo perdeu força nos últimos dias. O mercado está dividido entre a redução de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 13,5%, e a manutenção da taxa no patamar atual. Levantamento com instituições financeiras divulgado às vésperas da decisão mostrou expectativas próximas entre os dois cenários. A decisão oficial será conhecida no início da noite.
O primeiro boletim Focus divulgado após as eleições mostrou uma piora nas projeções econômicas. A estimativa para a Selic no fim de 2026 passou de 13,25% para 13,5%, enquanto a previsão para a inflação subiu de 5,19% para 5,22%. A expectativa para o dólar avançou de R$ 5,05 para R$ 5,34 no encerramento do ano.
Inflação acima do teto da meta
A inflação continua sendo um dos principais obstáculos para a redução dos juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,32% em outubro, depois de avançar 0,70% em setembro.
Apesar da desaceleração mensal, o índice acumulou alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Entre os produtos que pressionaram os preços em outubro estão tomate, cebola, batata-inglesa e arroz.
A meta oficial de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O Banco Central precisa conduzir a política monetária para manter a inflação dentro desse limite, considerando o comportamento dos preços e as expectativas para os próximos períodos.
Dólar e cenário internacional
A alta do dólar também entrou no cálculo dos analistas. A desvalorização do real pode encarecer produtos importados, insumos industriais e combustíveis, com reflexos sobre os preços pagos pelos consumidores.
Outro fator de preocupação é o petróleo, sujeito às oscilações provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A possibilidade de novas pressões sobre energia e transporte aumenta a cautela do Banco Central.
O mercado também acompanha os efeitos do cenário fiscal brasileiro sobre as expectativas de inflação. Quando investidores avaliam que as contas públicas podem pressionar a demanda ou ampliar a necessidade de financiamento do governo, podem exigir juros maiores para comprar títulos e assumir riscos no país.
O que a Selic muda na vida da população
A Selic é a principal referência para as taxas de juros praticadas na economia. Quando o Banco Central mantém os juros elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que afeta financiamentos, empréstimos, compras parceladas e investimentos das empresas.
A política de juros altos busca reduzir o consumo e a demanda, contribuindo para conter a inflação. O efeito, porém, também pode ser sentido na atividade econômica, com menor estímulo à produção, aos investimentos e à geração de empregos.
Quando a Selic cai, a tendência é de redução gradual do custo do crédito e estímulo ao consumo e à atividade econômica. Isso não significa, entretanto, que bancos e financeiras repassem imediatamente a redução aos clientes. As instituições também consideram inadimplência, custos operacionais e margens de lucro na definição das taxas cobradas.
Última reunião do ano será em dezembro
O Copom se reúne a cada 45 dias para avaliar o cenário econômico e decidir o nível da taxa básica. A reunião desta semana é a penúltima de 2026. O próximo encontro está previsto para dezembro.
A decisão desta quarta-feira será acompanhada pelo mercado porque indicará como o Banco Central avalia a combinação entre inflação, câmbio, atividade econômica e expectativas. Um novo corte representaria a continuidade do ciclo de redução iniciado em março. A manutenção, por outro lado, sinalizaria maior cautela diante da piora das projeções.
A decisão não depende apenas da inflação registrada nos últimos meses, mas também das estimativas para os próximos períodos. O desafio do Banco Central é reduzir os juros sem comprometer o controle dos preços, em um cenário no qual o custo do crédito continua elevado para famílias e empresas.


